Saiba o que é engenharia social, tática usada em golpes virtuais; região já soma mais de 500 boletins de ocorrência em 2026
No ano anterior o volume de crimes foram registrados 2.463 casos consumados e 75 tentados na região
A região de cobertura da TV TODODIA registrou 512 boletins de ocorrência de golpes consumados em 2026. Os dados, obtidos via Lei de Acesso à Informação junto à SSP (Secretaria de Segurança Pública), englobam crimes de estelionato, fraudes e invasão de dispositivos informáticos. Além dos casos concretizados, foram registrados 21 boletins de tentativas de golpe.
Campinas lidera as estatísticas de 2026 com 219 ocorrências, seguida por Hortolândia, com 89, e Americana, com 65. Outras cidades da região também apresentam números expressivos, como Piracicaba, com 45 registros, Limeira, com 32, e Sumaré, com 22.
O levantamento tem como base o Registro Digital de Ocorrências do sistema de Polícia Judiciária, com classificação de crimes previstos no artigo 171 do Código Penal. Em 2025, foram registrados 2.463 casos consumados e 75 tentados na região.
Engenharia social e manipulação
Para a promotora de Justiça Adriana Cerqueira de Souza, coordenadora do Centro de Apoio do Consumidor do MPSP (Ministério Público de São Paulo), o êxito dos criminosos está na chamada engenharia social. Segundo ela, os golpistas combinam tecnologia com manipulação psicológica e usam dados vazados ou informações deixadas em sites de comércio para identificar o perfil de consumo das vítimas.
“Eles sabem o que a pessoa costuma comprar e começam a aplicar os golpes”, explica a promotora. Adriana ressalta que a pressa do dia a dia favorece a ação dos criminosos. “Agimos com pressa ou acabamos nos envolvendo emocionalmente com as mensagens. Esse golpe do link malicioso é um dos mais perigosos, pois o aplicativo ou link desconhecido permite que o invasor se aproprie de tudo o que existe no aparelho”, alerta.
Prejuízo em Americana
Uma moradora de Americana, que preferiu não se identificar, relatou à TV TODODIA um prejuízo de R$ 7 mil no início de 2026. O criminoso entrou em contato fingindo ser atendente bancário e informou sobre uma suposta compra indevida em nome dela.
Durante cerca de uma hora de conversa, o golpista manipulou a vítima, que chegou a compartilhar a tela do celular via WhatsApp. “Acredito que ele percebeu meu nervosismo e foi me manipulando. Ele pediu para compartilhar a tela, viu meus aplicativos e teve acesso a tudo. Enviou um link para copiar e colar e, automaticamente, o dinheiro desapareceu da conta”, conta a vítima.
Segundo a moradora, o valor levado era fruto de economias, incluindo o 13º salário. “Eram planos e projetos que desapareceram em questão de minutos”, lamenta.
Orientações e punição
O MPSP publicou o “Guia de Sobrevivência Digital: Proteja seu Dinheiro” para orientar a população. Entre as recomendações estão nunca realizar transferências sem confirmar a identidade, desconfiar de ofertas com preços muito baixos e jamais fornecer senhas por telefone.
Caso a pessoa seja vítima de golpe, a orientação é registrar boletim de ocorrência imediatamente, alterar senhas e fazer uma varredura de vírus nos aparelhos. No âmbito jurídico, o Ministério Público conta com o Cyber Gaeco para combater crimes cibernéticos.
Embora existam tipos penais específicos, como o estelionato eletrônico com penas de até cinco anos, a recuperação do dinheiro costuma ser difícil. “Conseguimos realizar as prisões eventualmente, mas o prejuízo financeiro e o trauma psicológico são enormes. A pessoa perde a confiança e não se sente mais segura”, comenta Adriana Cerqueira de Souza.
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