Polícia Civil prende cinco em operação contra fraudes bancárias e documentos falsos na região de Americana; delegado explica como grupo atuava
A Polícia Civil cumpriu cinco mandados de prisão na terça-feira (7), durante a Operação Chargeback, para desarticular um esquema de fraudes bancárias e documentais com atuação em Americana, Cosmópolis e Artur Nogueira. A ação foi conduzida pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Americana e terminou com cinco investigados presos.
O nome da operação faz referência ao sistema de “chargeback”, mecanismo usado por instituições financeiras para estornar valores contestados por clientes. Segundo a investigação, integrantes do grupo recebiam produtos comprados regularmente e, depois, alegavam ao banco que não haviam feito a compra. Após o estorno, o dinheiro era repassado ao esquema criminoso.
Investigação apura participação de solicitantes
De acordo com o delegado titular da DIG de Americana, Lúcio Antonio Petrocelli, a polícia ainda apura se as pessoas que solicitaram os estornos eram vítimas, se foram usadas como “laranjas” ou se participaram conscientemente do esquema. “Nós iremos identificar se essas pessoas são vítimas, se foram cooptadas, se são possíveis laranjas ou se anuíram com essa associação”, afirmou o delegado.
As investigações apontam que os valores contestados variavam entre R$ 200 e R$ 500. Em um dos períodos analisados, porém, o grupo teria obtido cerca de R$ 20 mil com as fraudes. Caso fique comprovada a participação consciente, os responsáveis pelos pedidos de estorno poderão responder por estelionato.
Segundo a DIG, a organização criminosa usava diversas contas bancárias e chaves Pix de terceiros para receber, fracionar, ocultar e redistribuir os recursos obtidos de forma ilícita.
Grupo vendia documentos falsificados
Além das fraudes bancárias, o grupo também atuava na produção e comercialização de documentos falsificados, como atestados e laudos médicos, receitas, certificados, diplomas, históricos escolares e outros papéis. O material era oferecido em grupos de mensagens e redes sociais.
A Polícia Civil identificou ao menos 90 grupos usados para a oferta dos documentos falsos em diferentes regiões do país. Em uma das conversas obtidas durante a investigação, há comprovante de um Pix de R$ 75 referente à compra de um atestado médico falso.
As apurações mostram ainda que, em alguns casos, os documentos eram enviados em formato digital e, em outros, entregues fisicamente por serviços de entrega ou pelos Correios.
Mandados e apreensões
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam celulares, documentos, arquivos digitais, anotações com nomes, CPFs, datas e valores, além de dinheiro em espécie e outros materiais considerados relevantes para a investigação.
Os cinco investigados foram levados à DIG de Americana e permaneceram à disposição da Justiça.
Investigações continuam
As apurações seguem para identificar outros envolvidos, possíveis compradores dos documentos falsificados, beneficiários das fraudes, eventuais vítimas e outras ramificações do esquema.
Segundo o delegado responsável, os investigados devem responder por estelionato, associação criminosa, falsidade documental e falsidade ideológica.
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