Projeto Abrakbeça leva cultura hip-hop para escola municipal de Americana
Espetáculo idealizado pelo rapper Renan Inquérito, reúne música, dança, grafite e poesia para estimular a criatividade e aproximar a arte do aprendizado

Rimas, dança, grafite e muita interação transformaram o CIEP do São Vito, em Americana, em palco para a cultura hip hop. Em outubro, mês em que são celebrados o Dia das Crianças e o Dia dos Professores, a escola recebeu o espetáculo Abrakbça, idealizado pelo rapper, professor e doutor em Geografia Renan Inquérito.
A apresentação reuniu alunos de 9 a 11 anos em uma experiência que combina entretenimento e educação. A iniciativa apresenta os quatro elementos da cultura hip hop — rap, DJ, breaking e grafite — de forma lúdica, com atividades que incentivam a participação dos estudantes.

O projeto percorre cinco escolas de Americana durante o período. Segundo Renan Inquérito, a proposta é levar às unidades de ensino experiências culturais que nem todos os alunos têm a oportunidade de vivenciar fora do ambiente escolar. “É uma oportunidade para as crianças que não podem ir a um teatro, a um show ou a um espetáculo. Elas recebem o projeto aqui na escola. Para nós, é maravilhoso, porque o projeto nasceu na escola e foi para o teatro. Toda vez que a gente volta para a escola, é como se estivesse retornando às nossas origens”, afirma o rapper.
Personagens aproximam crianças do hip hop
No palco, Renan interpreta o MC Mágico, personagem que conduz a apresentação e convida os alunos a participar das atividades. O rap apresenta a poesia, enquanto o DJ fica responsável pelas batidas e pela mixagem das músicas.
O breaking, estilo de dança associado à cultura hip hop, é apresentado pelo b-boy Lulla e pela b-girl Fran Killa, que acumula experiências internacionais, com apresentações no Chile, na Rússia e na China. Fran também demonstra técnicas de grafite, aproximando os estudantes das artes visuais.
O elenco conta ainda com a cantora Vih Mendes, que interpreta a MC Vih, o cantor e produtor musical Pop Black e o beatboxer Borracha, responsável por interpretar a avó do MC Mágico. Juntos, os artistas exploram diferentes linguagens por meio da música, do teatro, do humor e da poesia.
A professora de Educação Física Luciana David, da Rede Municipal de Ensino de Americana, acompanhou o espetáculo e destacou a forma interativa como o conteúdo é apresentado aos estudantes.
“Eu achei o espetáculo genial, a forma como as crianças são introduzidas a todo o conteúdo, de uma maneira bastante interativa, completando as rimas, dançando com o break, cantando com a poesia. Eu achei incrível”, avaliou.
Arte como ferramenta de aprendizagem
Além de artistas, os integrantes do espetáculo também atuam como arte-educadores. Vih Mendes, que participa do projeto há quase cinco anos, destaca a troca de afeto e energia com as crianças durante as apresentações. Segundo ela, a música é uma forma de transmitir carinho, esperança e união, sentimentos que também fazem parte da proposta do Abrakbça.
Pop Black ressalta a importância das iniciativas culturais na trajetória dos estudantes. O músico conta que é fruto de projetos sociais e lembra como as atividades artísticas e o apoio dos educadores fizeram diferença durante a infância.
Para ele, iniciativas como essa podem contribuir para fortalecer o vínculo dos jovens com a escola e tornar o ambiente educacional mais acolhedor.
Projeto nasceu de álbum infantil
Idealizado por Renan Inquérito, o Abrakbça nasceu de um álbum infantil que aproxima a cultura urbana da literatura e da imaginação das crianças. O disco reúne participações de artistas conhecidos da música brasileira, como Emicida, Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes e Maria Rita.
A proposta também é mostrar como a arte pode dialogar com diferentes disciplinas escolares. O breaking pode ser relacionado às aulas de Educação Física, o grafite às atividades de Artes e as rimas ao ensino de Língua Portuguesa. A matemática também aparece na geometria das artes visuais e na contagem dos ritmos musicais.
Para Renan, a integração entre cultura e educação torna o aprendizado mais significativo e permite que os estudantes desenvolvam conhecimentos por meio de experiências práticas. “Trazer um projeto cultural para a escola, unir a cultura e a educação, só potencializa o aprendizado dessas crianças, só faz com que elas aprendam de uma forma muito mais significativa. Aprendam sem saber que estão aprendendo, é uma coisa muito orgânica”, afirma.
O rapper destaca ainda que o contato com diferentes manifestações artísticas estimula a expressão e a criatividade dos alunos. A intenção, segundo ele, é contribuir para novas formas de aprendizagem e para a permanência dos estudantes na escola. “O hip hop está aí para somar, para colar com a escola e correr junto mesmo”, conclui.
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