Por uma IA governamental
Por Mario Eugenio Saturno, Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano
Depois da polêmica dos cientistas e das notoriedades contra as Inteligências Artificiais, eu mesmo fiz algumas sugestões ao Congresso e ao próprio INPE sobre o assunto. Mais amadurecido, penso que seja matéria para o governo agir enquanto haja tempo para isso tanto no entendimento quanto no uso adequado. Perdemos a revolução industrial, a revolução eletrônica, a revolução computacional, até a revolução verde, mas não podemos perder a revolução da IA.
Em março, o mundo foi surpreendido quando Elon Musk (Tesla, Twitter e SpaceX), Steve Wozniak (Apple) e Jaan Tallinn (Skype) assinaram uma petição pedindo uma pausa de seis meses em pesquisas sobre Inteligências Artificiais (IA) mais potentes do que o GPT 4, o modelo da OpenAI lançado naquele mês.
Mas esse não foi o primeiro alerta, em 28/7/2015, Noam Chomsky, Stephen Hawking e centenas de cientistas e especialistas assinaram uma carta aberta alertando sobre os riscos do uso da inteligência artificial em armas. O documento foi anunciado durante a Conferência Internacional sobre Inteligência Artificial, em Buenos Aires, Argentina.
Em 17 de abril último, alertei senadores e deputados que as inteligências artificiais começavam a impor um novo paradigma para nossa sociedade e era preciso entender o que estava acontecendo e prever as revoluções em curso, sugeri que se criassem grupos de estudos para avaliar e preparar para esse futuro incerto, especialmente para o povo trabalhador. Não sei se tiveram iniciativa.
Em 19 de maio, sugeri que minha instituição, o INPE, fosse um “case” para o governo, estudasse modos de se utilizar as IA disponíveis e verificar como poderiam auxiliar o INPE nos trabalhos corriqueiros. Eu já sabia que diversos cientistas e tecnologistas já usavam para atividades corriqueiras como escrever emails. Eu mesmo já testara fazer programas de computador. Via um potencial enorme com ganho incalculável.
Agora, creio que o país tem que ter uma ação governamental utilizando seus cientistas e tecnologistas para identificar modos de se utilizar as IA disponíveis e também para desenvolver Inteligências Artificiais próprias, confiáveis e adaptadas à realidade brasileira e que falem o Português como língua nativa.
O potencial para o uso no governo é gigantesco, particularmente, devido à burocracia. As possibilidades de se aumentar a produtividade e eficiência são enormes. Já é possível fazer transcrição de áudio com grande velocidade, tradução de textos para outras línguas, escrever textos formatados a partir das informações básicas, desenvolvimentos de programas de computador por uma pequena descrição e assim vai.
Nas minhas experiências com a IA do Bing, consegui extrair boas informações quando citei onde procurar, por exemplo, direcionando para o site da Embrapa ou do IBGE. Se uma IA genérica como o Bing consegue compilar informações valiosas de fontes confiáveis quando direcionadas, imaginem uma IA treinada para isso.
Os serviços dessas IA também poderiam ser distribuídas aos brasileiros para melhorar a produtividade, eficiência, criatividade, em suma, a economia nacional.
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