Com a continuidade das aulas remotas no segundo semestre letivo do ano, faculdades particulares de São Paulo já demitiram mais de 800 professores. As instituições afirmam que as demissões são necessárias porque enfrentam crise com a saída de alunos e aumento da inadimplência durante a pandemia do novo coronavírus.
A redução do número de alunos e as aulas online permitiram que as faculdades juntassem turmas, até mesmo de unidades diferentes, para que precisassem de menos professores. Algumas instituições também reduziram a carga horária dos docentes, em alguns casos de 40 para 12 horas-aula semanais, ainda que mantenham o mesmo número de alunos.
O Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior) diz que as demissões foram necessárias já que as faculdades perderam 265 mil estudantes entre abril e maio – número 32% maior que no mesmo período do ano passado.
Rodrigo Capelato, presidente da entidade, afirma que os números podem crescer ainda mais no fim do ano. “A taxa de rematrícula para o segundo semestre deve cair, a inadimplência vai aumentar e poucos alunos devem começar algum curso no meio do ano. A perspectiva é bem ruim, e o maior gasto de uma faculdade é com o pagamento de professores”, diz.
PREOCUPAÇÃO
O Sinpro (Sindicato dos Professores de São Paulo) diz ver com preocupação grande volume de demissões em algumas faculdades. Enquanto a maioria dispensou cerca de 10% do quadro de docentes, há instituições que demitiram um terço da equipe.
Segundo a entidade, a Uninove demitiu cerca de 500 professores, o que representa 30% do quadro. A faculdade dispensou parte dos docentes antes de o semestre ser finalizado e muitos só souberam da demissão por não conseguir acessar as plataformas de ensino remoto.
A Universidade Cruzeiro do Sul também demitiu cerca de 200 professores, um terço da equipe.
Entre os docentes que continuam empregados, muitos receberam cartas informando que teriam redução de jornada para o próximo semestre.
A diminuição de aulas também foi adotada pelo Centro Universitário Sumaré.
A UNB (União Bandeirante de Educação), que tem como proprietário o ex-dono da Uniban, também demitiu cerca de 40 professores na última semana.




