Esquema de propina de multinacionais na Petrobras movimenta US$ 31 mi
Deflagrada ontem, a nova fase da Operação Lava Jato avançou sobre a área comercial da Petrobras e apura o pagamento de supostas propinas a funcionários da estatal em troca de vantagens na compra e venda de derivados de petróleo e em negócios de locação de tanques de armazenagem.
Entre as empresas investigadas estão as multinacionais Vitol, Trafigura, Glencore, Chemoil, Chemium e Oil Trade & Transport. “São verdadeiros gigantes do mercado de trading e comercialização de commodities”, disse o delegado Filipe Pace.
O esquema teria movimentado pelo menos US$ 31 milhões em propina, entre 2009 e 2014, segundo o Ministério Público Federal.
Apenas três multinacionais (Vitol, Trafigura e Glencore) são suspeitas de pagar US$ 15,3 milhões, entre 2011 e 2014. A Glencore adquiriu, em junho deste ano, 78% das ações da brasileira Ale, quarta maior empresa do setor. A Vitol, de origem holandesa, também comprou recentemente a Rodoil.
Foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva. Entre os alvos estão funcionários e ex-funcionários da Petrobras, representantes das multinacionais suspeitos de serem intermediadores do esquema, além de advogados e parentes que teriam ajudado a lavar o dinheiro.
Membros da alta cúpula das companhias também são investigados na operação, embora não tenham sido alvo de medidas.
Segundo a investigação, as empresas, por meio um grupo intermediador, corrompiam funcionários da Petrobras encarregados das negociações dos contratos, para que a estatal vendesse os produtos por um preço mais baixo que o de mercado, e comprasse a valores mais altos.
A diferença era chamada internamente de “delta”. Era assim que os funcionários corrompidos apelidavam a propina, segundo o MPF.
Os valores eram detalhados em planilhas obtidas pela investigação. “São variações ínfimas de preço, mas um ou dois centavos fazem muita diferença”, disse Pace.
Em nota, a Petrobras informou que colabora com a investigação e que “é reconhecida pelo próprio Ministério Público Federal como vítima”.
A Vitol e a Glencore informaram que não iriam se manifestar. A reportagem não conseguiu contato com a Trafigura.
Também foram procuradas as empresas Chemoil, Chemium e Oil Trade & Transport, mas não houve retorno. A reportagem entrou em contato com os advogados dos investigados, mas nenhum quis se manifestar sobre as suspeitas.
Esta matéria foi útil para você?
Newsletter TODODIA
As mais lidas do dia, direto no seu e-mail. Grátis.
Veja também
Lula vai criar Ministério da Segurança Pública com Medida Provisória
A criação do ministério é para ampliar o combate às ações das organizações criminosas
Derrota de Trump coloca em xeque relação histórica dos EUA com Israel
Relação entre países vem sendo alvo de críticas internas nos últimos anos
Presidente do Paraguai renuncia durante crise bancária; vice assume
Santiago Peña deixou o cargo após perder o apoio do Partido Colorado, em meio à liquidação do Ueno Bank e ao congelamento de depósitos