Casos de ansiedade aumentam no sistema público em Americana
Hospital Municipal Waldemar Tebaldi, em Americana, registrou 1.158 diagnósticos em 2021, uma média de 3 casos ao dia
Coração acelerado, aperto no peito repentino, sentimento de medo, preocupação que não cessa, tudo fora de controle. São evidentes sinais da ansiedade, considerada o mal do século, que registrou crescimento de 23% somente no sistema público de saúde de Americana desde o início da pandemia. A cada dia, são três novos habitantes com ansiedade apenas na rede municipal.
De acordo com dados da prefeitura obtidos pelo TODODIA, Americana teve no ano de 2020, o primeiro da pandemia, 942 casos de transtorno de ansiedade contabilizados em atendimentos no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi. Em 2021, os números saltaram para 1.158 pacientes diagnosticados com o problema.
Segundo Tatiana Slonczewski, doutora em Psicologia e docente extensionista pela PUC-Campinas, um dos motivos que contribuíram para o aumento do transtorno de ansiedade durante a crise sanitária foi a enxurrada de informações sobre a gravidade do vírus. Há todo momento, disse, a população era bombardeada com notícias a respeito do avanço da doença no mundo, no país e na região.
Outros casos, explicou a psicóloga, surgiram devido ao confinamento, interrupção da rotina, perdas financeiras pessoais, e resultados da doença em si.
O americanense Alexandre Menezes, de 23 anos, começou a sentir alguns dos sintomas de ansiedade quando estava no ensino médio, mas foi apenas quando ingressou na faculdade, em 2020, que resolveu buscar ajuda. “Comecei a piorar muito. Até o ponto que não aguentava ficar dez minutos em qualquer aula, passava mal no mercado, no Uber, em qualquer lugar que estivesse com gente” explica ele.
Logo no começo da pandemia, o isolamento e a quarentena trouxeram certo alívio para Alexandre, já que não era mais preciso lidar com outras pessoas. Mas outros sintomas do transtorno de ansiedade começaram a surgir. “A ansiedade parece que encontrou outros meios de se manifestar. Então comecei a ficar muito neurótico com a questão da pandemia, achar que qualquer coisa já era sintoma de eu estar com Covid”, conta ele.
Também de Americana, Eliza Santos, de 33 anos, tem o diagnóstico de transtorno de ansiedade desde 2010. Ela relatou que quando a vida começou a voltar à normalidade os sintomas retornaram de maneira intensa. O sentimento de urgência de retomar as tarefas gerou episódios de ansiedade, depressão a até mesmo pensamentos suicidas, confidenciou.
Eliza também contou que o transtorno de ansiedade colaborou no desenvolvimento de fibromialgia e compulsão alimentar. “Fibromialgia é uma doença emocional que me dá dores físicas. Meu cérebro fala para o meu corpo ‘você está doente’, ‘você está com dor’, e ele manda a dor sem eu ter nada. Por exemplo, eu tenho sintomas de reumatismo sem ter reumatismo”, explica ela.
AJUDA MÉDICA
A psicóloga recomenda que as pessoas procurem ajuda médica na UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima, ou, em situações mais graves, no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). “Há também a possibilidade de atendimento online através do site mapasaudemental.com.br, onde profissionais estão à disposição para auxiliar”, disse.
Em meio à crise sanitária houve elevação de 24% dos casos de transtorno de ansiedade no mundo. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), antes da pandemia, o Brasil já era considerado o país mais ansioso.
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