Professor da Etec Polivalente é afastado após denúncias de homofobia
Centro Paula Souza, responsável pela escola pública, confirma abertura de processo investigativo contra docente de Matemática, acusado pelos estudantes de discurso preconceituoso em sala de aula
Acusado por alunos do 2º ano do Ensino Médio da Etec (Escola Técnica) Polivalente, de Americana, de promover discurso considerado “homofóbico” em sala de aula, o professor de Matemática Roberto Torezan, 67 anos, começa a cumprir afastamento das funções na instituição nesta terça-feira (15). A informação foi confirmada pelo Centro Paula Souza, do qual faz parte a Etec, no final da tarde desta segunda-feira (14).
O afastamento acontece três dias depois de cerca de 300 estudantes do Polivalente promoverem uma manifestação em frente à escola pedindo a saída do professor, que teve um diálogo com estudantes gravado pelos alunos durante uma aula e o conteúdo, exposto em redes sociais. Na última sexta-feira (11), os alunos se reuniram em frente aos portões da Etec para exigir uma solução para o episódio que, segundo eles, tem sido recorrente.
O protesto foi acompanhado por representantes da comissão de Diversidade da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), de Americana, e da UNE (União Nacional dos Estudantes). Torezan é acusado por dar declarações homofóbicas durante as aulas, de acordo com os estudantes.
O caso ganhou repercussão com a publicação de áudios atribuídos a ele, gravados no último dia 9, em que é possível ouvir o professor classificando como “prostitutas” mulheres que aceitam ser “barriga de aluguel” de casais homossexuais, os quais se refere como sendo “da coluna do meio”, entre outras expressões preconceituosas, segundo os alunos.
De acordo com o Centro Paula Souza, o resultado da investigação aberta para investigar as denúncias deve ser encaminhado a PGE-SP (Procuradoria Geral do Estado) ainda nesta semana. “O procedimento de apuração preliminar está em fase final de relatório com previsão de envio à PGE, onde será analisado pela Procuradoria de Procedimento Disciplinar”, afirma trecho da nota encaminhada pela instituição, que é do governo do estado.
Segundo a presidente da Comissão de Diversidade da OAB de Americana, Maria Helena Galhardi, o órgão deve acionar a Secretaria Estadual de Justiça para investigar o episódio e que, depois que o caso foi tornado público, recebeu novas denúncias do gênero contra a instituição.
Maria Helena afirma ainda que a comissão se colocou à disposição do Centro Paula Souza e da Polivalente para promover ações de orientação quanto à legislação que trata do tema.
O caso também foi denunciado ao MP-SP (Ministério Público) por movimentos estudantis, como a UNE (União Nacional dos Estudantes), UBES (União Brasileira Secundarista), UPES (União Paulista dos Estudantes) e UEE (União Estadual dos Estudantes. “Nós dos movimentos estudantis deste país queremos justiça pelos direitos estudantis e liberdade de todos os estudantes. Nenhuma forma de preconceito e descriminação é liberdade de expressão, além de crime, é uma violação ao direito alheio à vida, à liberdade, à segurança, que são direitos fundamentais”, diz a denúncia encaminhada ao MP.
“Quando isso ocorre, vai além de qualquer princípio ligado à liberdade de expressão. Em uma escola pública não podem alunos serem induzidos por qualquer ideologia das mais diversas, seja ela política, religiosa, de orientação sexual e etc. Não é ambiente para isso. Agora cabe ao MP julgar”, diz o representante dos movimentos estudantis na região, Pablo Ruan.
A reportagem do TODODIA entrou em contato com o professor Roberto Torezan para comentar o afastamento, mas ele informou que não se manifestará sobre o caso até a conclusão do processo administrativo.
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