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TODODIA 22 de outubro de 2026
Cidades

MST faz ‘vaquinha’ para erguer escola

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“Não vou sair do campo pra poder ir para a escola, educação no campo é direito e não escola”. Embalados por esses versos de Gilvan Santos, os moradores do Assentamento Milton Santos, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em Americana, começaram a tirar do papel um sonho antigo da comunidade: construir uma escola popular.

Para isso, as famílias têm realizado mutirões aos finais de semana, mas buscam apoio financeiro por meio de uma “vaquinha on-line” para arcar com os custos. A meta é arrecadar R$ 20 mil e em pouco mais de um mês, R$ 4,8 mil foram arrecadados.

O ensino para jovens e adultos começou a ser implantado no assentamento em 2014 por meio de um projeto do MST, Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e MEB (Movimento de Educação de Base), mas nunca teve uma sede exclusiva, um sonho que aos poucos vai tomando forma pelas mãos dos próprios moradores do local e voluntários que apoiam o movimento.

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“As aulas começaram no barracão social, mas ele também era usado para várias outras atividades. Além disso, o barracão está com problemas no telhado, o que fez a gente perder muita coisa da nossa biblioteca e várias carteiras com a chuva”, contou a militante Ariele Contrigiani, uma das idealizadoras da vaquinha.

Ela explicou que a presença da escola no assentamento ajuda a combater a evasão escolar entre os jovens e facilita o acesso aos adultos que não concluíram os estudos.

“É uma demanda muito grande ter sala de EJA no assentamento, porque o polo mais perto seria no Zanaga, que é longe, então a locomoção para quem não tem carro é difícil”, disse Ariele.

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Ao longo dos anos, vários estudantes universitários e professores voluntários contribuíram com o ensino no assentamento. Além da agricultora Eunice Pimenta, que recebeu formação do MST para dar aulas a jovens e adultos.

“O MST sempre valorizou a importância de saber ler e escrever. Infelizmente, no meio rural, grande parte das pessoas é analfabeta, e para trabalhar com o orgânico é necessário anotar o que colocou e o que não colocou, o que mexeu na terra. Isso é um ganho muito grande na nossa produção”, explicou Eunice.

É a Eunice que o agricultor Liormando José dos Santos, morador do assentamento, agradece por ter aprendido a ler e escrever depois de adulto. Ele conta que enfrentou preconceito e dificuldades ao longo da vida por ser analfabeto.

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“Quando eu ia para o Centro de Americana, para ir embora, ficava no ponto de ônibus esperando até ver alguém do assentamento pegar o ônibus, aí eu sabia qual era o meu, porque não sabia ler, agora não preciso disso, porque minha professora Eunice ensinou”, afirmou.

Agora, ele encontrou na liderança da obra da escola uma forma de retribuir. É o seu “Lió” que comanda os voluntários todos os sábados na empreitada. “Vou vir aqui faça chuva ou faça sol para fazer a escola”, disse.

Outra professora que marcou a história do ensino no assentamento é Melina Melão, que morreu em 2016 e dará nome ao espaço: Escola Popular Melina Melão. “Ela dava aula de matemática, sempre foi muito querida naquele espaço, e aí decidimos fazer essa homenagem a ela. Ela deu aula em 2014 e 2015”, contou Ariele.

ARRECADAÇÃO

A militante Ariele explicou que a obra começou com alguns materiais de construção reutilizados e com um caixa que o assentamento tinha após a realização de festas juninas. “O material foi acabando, e aí a gente pensou na vaquinha”, contou.

A arrecadação acontece pelo link http://vaka.me/1463209.

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Leon Botão TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba
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