Teatro gratuito em Campinas convida público a imaginar o impossível
Com entrada gratuita e recursos de acessibilidade, como Libras e audiodescrição, o espetáculo estreia em Campinas com sessões no Centro e no Taquaral
Ensinar números circenses a uma pulga pode parecer impossível, mas é exatamente esse o desafio da Palhaça Tertúlia, vivida pela atriz Fernanda Nunes. No espetáculo “Tertúlia e o Fantástico Circo de Pulgas”, quem rouba a cena é Fifi, uma pulguinha acrobata que só ganha vida quando o público aceita embarcar na proposta e imaginar cada número apresentado.
O desafio de dar vida ao invisível
Para Fernanda, o circo de pulgas está entre as linguagens mais desafiadoras do teatro de formas animadas. “O teatro de formas animadas, o circo de pulgas, é um dos mais difíceis, porque o boneco é invisível. Então, para o ator, é um jogo de brincar com esse invisível para fazer com que seja visível”, explicou a atriz. Segundo ela, tudo depende de um acordo coletivo. “É um grande jogo de imaginação entre o público e a plateia para fazer com que tudo exista. O circo de pulgas é tudo sobre a pulga, sobre esse elemento que não existe, mas que, durante esse jogo, durante esse momento de teatro, da brincadeira, a gente vai acreditar que existe. Acho lindo”, afirmou.
Um resgate histórico com humor e poesia
Dirigida por Cláudio Saltini, fundador da Cia. Circo de Bonecos, a montagem resgata um gênero que fez sucesso na Europa do século XVI. A encenação mistura humor, palhaçaria e referências históricas para propor uma reflexão sobre a importância da imaginação em tempos cada vez mais dominados pelas telas.
Fernanda defende que, mesmo diante do avanço tecnológico, o teatro segue essencial. “Acho que o teatro, a palhaçaria, é um grande formador de empatia, nos coloca à exposição de sentimentos, independente das telas”, disse a atriz. Para ela, a experiência coletiva é um diferencial. “O teatro gosta de nos conectar com a outra pessoa, e a palhaçaria utiliza o recurso do humor, dessa figura do nariz vermelho, para se aproximar das pessoas. Em tempo de telas, em que a gente já fica muito sozinho, o teatro e a palhaçaria são essa experiência coletiva, estar com outras pessoas e apreciar algo juntos”, destacou.
O público como coautor da magia
Durante a apresentação, Fifi realiza saltos mortais, mergulha em uma tina d’água e até é lançada por um canhão. Mas, segundo a proposta do espetáculo, nada disso existe sem a participação ativa da plateia. É o público que se torna coautor da magia ao aceitar o pacto lúdico sugerido pela palhaça.
Imaginar para que o circo não acabe
Em cena, a atriz apresenta Fifi como a última pulga circense do Brasil. “O circo de pulgas está acabando porque as pessoas já não têm tempo de imaginar. Então, a reflexão que o espetáculo traz é cavar um pouco esse tempo para imaginar, esse tempo para brincar, esse tempo para acreditar no circo de pulgas e fazer com que ele não acabe”, afirmou. Ela reforça que a proposta vai além do riso. “Quero trazer essa reflexão de uma maneira carismática, leve, divertida. Espero muito que as pessoas tenham essa experiência com carinho e graciosidade”, completou.
Sessões sábado e domingo no Centro e Taquaral
Com entrada gratuita e recursos de acessibilidade, como Libras e audiodescrição, o espetáculo estreia em Campinas na sexta-feira (27) com sessões às 16h e às 17h30, na Praça Rui Barbosa, e no sábado (28) na Lagoa do Taquaral, também com sessão dupla às 9h30 e às 11h.
A proposta é simples e, ao mesmo tempo, provocadora: exercitar o “músculo” da imaginação e lembrar que imaginar também é uma forma de existir.
Esta matéria foi útil para você?
Newsletter TODODIA
As mais lidas do dia, direto no seu e-mail. Grátis.
Veja também
Exposição na França e Juca Jazz marcam legado cultural de Juarez Godoy
Juarez Godoy fundou estúdio de fotografia publicitária em 1986, levou trabalhos à França, criou o Juca Jazz e registrou três décadas da história do município
Pitaco Filmes, de Piracicaba, conquista 25 indicações no Rio Webfest
Quatro produções disputam prêmios em festival internacional, com trabalhos que vão do suspense ao conteúdo infantil.
FÉstival reúne cinco shows gratuitos neste sábado em Santa Bárbara d’Oeste
Evento começa às 14h com apresentações de Kellen Byanca, Sarah Beatriz e outros artistas; público também poderá doar leite para entidades assistenciais.
