DETERMINISMO LIMITANTE
André Luís, teólogo e psicanalista
Seja numa parte do movimento religioso, seja na filosofia, ou mesmo no senso comum, há uma linha teórica que defende que todas as coisas estão determinadas e que, por isso, devemos descansar (no sentido de conformismo) ou, então, nos desesperar (pois não há qualquer esperança).
Fico pensando: será que isso faz sentido? Será que a vida e a morte estão tão próximas por conta da inevitabilidade sobre qualquer situação?
Eu creio que não. Eu creio que a história está aí pra gente escrever, reescrever, significar e ressignificar. Mesmo no aspecto teológico não há espaço para o determinismo, visto que o divino é um mestre em colocar fim naquilo que parece ser o fim. A encarnação de Jesus, por exemplo, demonstra que a vida está pulsante no jogo da história. Quando a morte parecia ser determinante, o divino quebra o determinismo; quando o pecado se levanta como um acusador determinante, o divino levanta-se na cruz e frustra o determinismo.
A vida está para ser vivida. Se houver algo que está determinado enquanto processo, é que aqueles que não zelarem por viver bem, infelizmente, se frustrarão com a existência. Aqueles que cruzarem os braços, olhando pra vida como expectadores, nada provarão dela; aqueles cultivarem a desesperança de algo melhor, nada colherão a não ser a expectativa diária da tragicidade.
Nada está determinado enquanto o fim não se apresenta. A história está aí pra nos mostrar isso. É claro que os deterministas nunca aceitarão uma vida sem determinismos, e isso deve ser respeitado, porém, o determinismo não é uma doutrina ou teoria absolutas, há outros pontos de vista pelos quais podemos olhar para a vida com a qual somos presentados todos os dias.
Portanto, viva! Faça valer cada instante. Não entregue sua vida à passividade e nem ao fatalismo. Lute! Determine-se. Acredite que você pode mudar o seu mundo, basta não enrijecer-se. Afaste-se daqueles que já sentenciaram a vida à morte, eles, de fato, não têm como contribuir com mais nada. Some forças com quem quer viver; permita-se o contágio com a vida. Não se limite.
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