Manifesto em defesa da soberania, da democracia e dos povos da América Latina
Não existe democracia imposta por tanques, sanções ilegais ou sequestros políticos
O IPEDD (Instituto Piracicabano de Estudos e Defesa da Democracia) denuncia com veemência a agressão imperial promovida pelos Estados Unidos da América, sob o governo de Donald Trump, contra a República Bolivariana da Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa e na violação aberta da soberania de um país latino-americano. Como afirma em editorial o jornal norte-americano New York Times, a intervenção americana na Venezuela é ilegal e imprudente.
O que está em curso não é um episódio isolado, nem um “excesso diplomático”. Trata-se de uma ação deliberada de força, que rompe com o direito internacional, despreza a Carta das Nações Unidas e retoma a lógica das intervenções unilaterais que marcaram os períodos mais sombrios da história da América Latina. É a tentativa explícita de impor, pela coerção e pela violência, aquilo que não se alcançou pela via política. As declarações de Trump não escondem sua verdadeira razão – o petróleo venezuelano!
A soberania nacional não é um detalhe retórico, nem uma concessão das grandes potências. É um princípio fundamental da ordem democrática internacional. Quando um país poderoso sequestra um chefe de Estado e intervém militarmente para tutelar o destino de outra nação, o que se estabelece é a lei do mais forte, incompatível com qualquer noção de democracia, legalidade ou civilização política.
O IPEDD jamais compactuou com o regime venezuelano, mas afirma, sem ambiguidades: não existe democracia imposta por tanques, sanções ilegais ou sequestros políticos. A instrumentalização do discurso democrático para legitimar golpes de força constitui uma fraude política e moral, que serve apenas aos interesses geopolíticos e econômicos de quem se arroga o direito de decidir o futuro dos povos alheios.
Essa agressão à Venezuela é, ao mesmo tempo, um alerta para toda a América Latina. Sempre que se normaliza a violação da soberania de um país, abre-se caminho para que outros sejam submetidos à mesma lógica de intimidação, chantagem e intervenção. O silêncio diante desse crime internacional não é neutralidade — é cumplicidade.
O IPEDD repudia o enfraquecimento intencional dos organismos multilaterais e a tentativa de esvaziar a diplomacia como instrumento de resolução de conflitos. A substituição do diálogo pelo uso da força representa um retrocesso civilizatório e uma ameaça direta à paz regional e mundial.
Não há democracia possível sem soberania. Não há paz possível sob a lógica da dominação.
O Instituto Piracicabano de Estudos e Defesa da Democracia reafirma seu compromisso histórico com a autodeterminação dos povos, com a integração solidária da América Latina e com a resistência a toda forma de intervenção estrangeira e violência política travestida de discurso democrático.
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