Pontes e Muros
Por Ailton Gonçalves Dias Filho, pastor presbiteriano
Neste mês de julho completo 35 anos de ordenação pastoral. O tempo, quer queiramos ou não, nos ensina. Começo a olhar para trás, como olhando em um retrovisor, percebendo as mudanças com o tempo. Não é somente o corpo que vai se alterando. O espírito também vai mudando num eterno aperfeiçoamento.
Uma das coisas que aprendi com o tempo foi derrubar muros. Descobri que não gosto de muros. Hoje, procuro destruir muros e construir pontes. Muro, do latim “muru”, é substantivo masculino, é uma “parede forte que circunda um recinto ou separa um lugar do outro”, segundo o dicionário. Na verdade, o muro é mais do que isso. O muro isola as pessoas. Isola países. Há muros que segregam. Muros de preconceitos, invisíveis, construídos com uma engenharia maquiavélica. Muros de ignorância que impedem o acesso a uma sociedade melhor, mais fraterna e amiga. Enfim, muros e mais muros que procuro derrubar.
Hoje, depois de 35 anos de ministério pastoral, prefiro construir pontes. Ponte, também do latim, é substantivo feminino e é uma “construção destinada a estabelecer ligação entre margens opostas”. No sentido figurado, ponte é qualquer pessoa que estabelece ligação, contato, comunicação ou transição entre pessoas ou coisas. Assim, prefiro construir pontes. Não é uma tarefa fácil. Construir muros é mais fácil. A construção de pontes exige mais da engenharia.
Hoje, no mundo, tem muita gente construindo muros. Muros altos, intransponíveis. Mas o mundo precisa de pontes.
Pontes estabelecem comunhão, ligação. Pontes permitem o transitar, o ir e vir. Pontes aproximam as pessoas umas das outras. Pontes aproximam, ligam lados opostos. Pontes permitem acessibilidade, conexões.
Como ministro do evangelho, se eu conseguir com que pessoas se conectem com Deus, melhor ainda. Essa é a melhor das pontes e tem um formato de cruz. É a ponte que Deus construiu, vindo ao nosso encontro e possibilitando-nos de ir até Ele. Deus é também um construtor de pontes. Ele não gosta de muros.
Sejamos construtores de pontes.
É isso!
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