Filha e companheiro são presos em Campinas por matar homem de 56 anos em 2020; crime havia sido tratado como latrocínio
Crime ocorreu na Estrada Benedito Nardes e foi inicialmente tratado como latrocínio; filha da vítima e o então companheiro foram indiciados
Uma reviravolta marcou a investigação da morte de Ricardo Luiz Nolasco Lopes, de 56 anos, registrada em 25 de janeiro de 2020, na Estrada Benedito Nardes, no distrito de Sousas, em Campinas. A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de Campinas afirma ter esclarecido o caso, que inicialmente foi registrado como latrocínio. A filha da vítima e do então companheiro dela foram presos e indiciados por homicídio qualificado. O caso foi divulgado pela DIG nesta quarta-feira (25).
Na ocasião do crime, Ricardo viajava como passageiro no veículo conduzido pela filha quando foi atingido por disparos de arma de fogo. A ocorrência foi registrada como latrocínio porque a filha informou que R$ 300 teriam sido subtraídos e que o atirador teria anunciado assalto antes de atirar.
Reavaliação do inquérito
Após diligências iniciais, o caso foi remetido à Justiça sem identificação de autoria e caminhava para arquivamento. Ao reexaminar o inquérito, a equipe da DIG constatou a necessidade de novas investigações, principalmente pela quantidade de disparos e pelo uso de mais de uma arma de fogo, circunstâncias consideradas incomuns em casos de latrocínio.
Entre as novas diligências, foi intensificada a busca pelo então companheiro da filha à época dos fatos. Ele havia sido ouvido logo após o crime, mas deixou de atender às intimações posteriores.
Confissão e novas provas
Segundo a Polícia Civil, após trabalho de investigação conduzido pelo investigador Pedro Paulo Chaves Bueno, o homem foi localizado e compareceu espontaneamente à delegacia, onde confessou a autoria do crime. De acordo com a corporação, ele apresentou detalhes sobre a quantidade de disparos e o calibre das armas, informações que, segundo os investigadores, indicam presença na cena.
Ainda conforme o relato, o homem disse que a então companheiar participou do crime ao atrair o pai dela até o local sob o pretexto de visitar uma casa que o casal estaria construindo. Ele declarou que a motivação não teria sido patrimonial, mas passional, alegando que Ricardo não concordava com o relacionamento deles, e que teriam ocorrido desentendimentos anteriores.
No final de 2025, com base na confissão e em novas provas obtidas, como o registro de circulação do veículo da filha na região horas antes do crime, foi solicitada a prisão temporária dos dois investigados, deferida pela Vara do Júri. Após a captura, a autoridade policial pediu a conversão das prisões em preventivas, também autorizada pela Justiça.
Os dois permanecem presos e foram indiciados por homicídio qualificado.
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