Ocupação de leitos dispara e prefeitos já discutem ‘lockdown’
O índice de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por pacientes com Covid-19 na região de Campinas disparou nos últimos dias e se aproxima da pior marca da região desde o início da pandemia, registrada em julho do ano passado. Diante deste cenário – e do corte de verbas do Ministério da Saúde para custear leitos – prefeitos das cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas) discutiram ontem a implantação de um “lockdown regional”. Amanhã, o estado deve anunciar medidas mais duras e restritivas para tentar frear o avanço da pandemia.
De acordo com números da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), nesta segunda-feira as cidades do DRS-7 (Departamento Regional de Saúde) atingiram a marca de 77,1% dos leitos de UTI ocupados. Há apenas três dias, a ocupação era de 73,4%.
A pior marca registrada na região durante a pandemia foi em 3 e 10 de julho de 2020, quando a ocupação de leitos de UTI ficou em 80%. Na ocasião, o DRS-7 foi classificado na fase vermelha do Plano São Paulo, a mais restritiva.
Para se somar ao cenário de alta taxa de ocupação, a região e todo o estado passaram a lidar ontem com o fim do custeio dos leitos de UTI por parte do Ministério da Saúde, que desabilitou todas as estruturas no estado. Agora, o custo de operação desses leitos está sob responsabilidade do estado, mas uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) deve fazer com que a União volte a pagar pelos leitos.
Também ontem, prefeitos da RMC fizeram uma reunião on-line para tratar desse cenário. Conforme apurou o TODODIA, eles chegaram a discutir a possibilidade de decretação de um “lockdown regional” para tentar conter o avanço de casos e internações. Em Hortolândia, um lockdown noturno foi implantado na última sexta por conta própria.
Não há detalhes sobre como funcionaria essa medida regional, mas a informação é de que os prefeitos aguardam novo pronunciamento do estado para decidir. Tal pronunciamento deve ocorrer amanhã, já que durante entrevista coletiva ontem, membros do Centro de Contingência do Coronavírus citaram a possibilidade de adoção de medidas mais restritivas essa semana.
“A velocidade do crescimento de internações que estamos vendo nesses últimos dias não tinha sido vista no ano passado. O Centro de Contingência está discutindo que recomendações fará ao governo, acredito que vai ser no sentido de maior restrição para a grande a maioria do estado, e também estamos discutindo a possibilidade de ter uma classificação talvez mais restritiva que a vermelha”, afirmou o coordenador do centro, Paulo Menezes.
Sobre as restrições, Menezes afirmou que a fase vermelha já é bastante restritiva, mas que não tem surtido efeito porque as pessoas não a seguem. “A questão principal nesse momento é de a população seguir, porque as recomendações são feitas. Na fase laranja, por exemplo, não se deve circular, as atividades se encerram às 20h, mas a gente tem assistido repetidamente o desrespeito, a transmissão”, disse.
A situação envolvendo a ocupação de UTIs foi abordada na coletiva realizada ontem e, segundo o secretário de Saúde do estado, Jean Gorinchteyn, se deve não só ao descumprimento dos protocolos e determinações do Plano São Paulo, mas também a mudanças nas características dos contaminados e internados.
“Na primeira onda, 80% dos internados era de idosos e pessoas com comorbidade, hoje, 60% são pessoas de 30 a 50 anos, muitos sem qualquer doença prévia. Pessoas que se sentem à vontade pra sair por aí, que acham que só vão perder paladar, mas perdem a vida. Essas pessoas se sentem bem, não percebem que a saturação está baixa, e aí quando vai ao hospital já tem comprometimento dos pulmões, vai pra UTI de forma grave. O tempo que estão ficando na UTI tem sido maior, média era de sete a dez dias, agora é 14 no mínimo”, relatou o secretário.
Também por isso, o secretário citou que a ideia de simplesmente reabrir hospitais de campanha do estado, abertos na primeira onda da pandemia, não é totalmente efetiva, já que hospitais de campanha têm majoritariamente leitos de enfermaria. “Nós precisamos de UTI”, disse.
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