Vereador de Piracicaba é interrogado pela Justiça em processo por denúncias de crimes sexuais
Cássio Fala Pira está preso preventivamente desde dezembro de 2025 e é acusado por ao menos 12 mulheres; defesa nega as acusações
O vereador de Piracicaba Cássio Luiz Barbosa (PL), conhecido como Cássio Fala Pira, foi ouvido pela Justiça nesta quarta-feira (2), durante uma audiência no Fórum de Piracicaba. O parlamentar está preso preventivamente desde dezembro de 2025 e é acusado por ao menos 12 mulheres de estupro e importunação sexual.
As denúncias foram registradas na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). Segundo os relatos, parte dos episódios teria ocorrido no gabinete do vereador, dentro da Câmara Municipal de Piracicaba.
Denúncias envolvem atendimento no gabinete
Boletins de ocorrência obtidos pela TV TODODIA na época das denúncias relatam episódios envolvendo mulheres que procuraram o parlamentar por diferentes motivos.
Uma das denunciantes afirmou que foi ao gabinete em busca de uma oportunidade de emprego. Segundo o relato, durante a conversa, o vereador teria segurado e massageado sua mão, feito comentários de conotação sexual e, depois, tocado suas partes íntimas. Ainda de acordo com o depoimento, ele teria pedido que ela o tocasse.
Em outro relato, uma mulher afirmou que o parlamentar costumava tocar sua cintura e seu quadril durante as conversas e que precisou pedir para que ele parasse. Outra denunciante disse que procurou Cássio para tratar de uma demanda relacionada ao bairro onde morava. Segundo o depoimento, o vereador teria perguntado: “Vou ganhar o que para te ajudar?”.
Pagamento de salário é alvo de disputa judicial
O histórico disponível no Portal da Transparência da Câmara de Piracicaba registra mudanças no subsídio de Cássio durante o período em que ele está preso.
Em abril de 2026, após uma decisão favorável da 1ª Vara da Fazenda Pública de Piracicaba, o vereador recebeu cerca de R$ 9,8 mil, valor calculado proporcionalmente ao período. Nos dois meses seguintes, maio e junho, uma liminar determinou a retomada do pagamento integral, de R$ 18,5 mil por mês.
A situação mudou no início de julho, quando uma decisão de segunda instância suspendeu novamente os repasses. A continuidade do pagamento ainda pode ser alterada conforme o andamento do recurso apresentado à Justiça.
Na decisão que autorizou o pagamento em abril, o juiz Guilherme Becker Atherino considerou que a Justiça criminal havia determinado a suspensão das funções públicas de Cássio, mas não estabelecido o corte do subsídio. Segundo o entendimento adotado na ocasião, a interrupção definitiva dos vencimentos dependeria de uma decisão judicial final sobre os crimes atribuídos ao vereador.
A defesa também apresentou no processo uma carta escrita pela esposa de Cássio. No documento, ela afirma que a família depende do salário do vereador para manter as despesas da casa.
Investigação segue sob segredo de Justiça
Desde a prisão, Cássio e os advogados negam as acusações. A defesa do vereador foi procurada pela TV TODODIA nesta quarta-feira (2), mas preferiu não se manifestar e informou que o processo corre em segredo de Justiça.
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