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TODODIA 24 de outubro de 2026
NO LARGO DO PARÁ

Em Campinas, Alckmin destaca força econômica da região; Haddad alerta para ‘chance de retrocesso’ no Brasil

Em ato pela reeleição de Lula, vice-presidente exaltou indústria e inovação regional; ex-ministro da Fazenda criticou projeto adversário

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Voz gerada por inteligência artificial

O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad estiveram em Campinas nesta quarta-feira (21) para participar de um evento com a militância chamado “Ato pela Virada”, mobilização em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Largo do Pará, no centro da cidade, considerado um reduto histórico da esquerda, os dois discursaram em cima de um trio elétrico. Antes do evento, atenderam à imprensa e falaram sobre o potencial econômico da região, medidas do governo federal e os rumos da disputa eleitoral.

Ao abordar as prioridades para Campinas e região, Alckmin destacou a presença de universidades, centros de pesquisa e indústrias, além da capacidade regional de desenvolver tecnologias e agregar valor à produção. O vice-presidente citou a Unicamp, que completa 60 anos em 2026, e a atuação de instituições de pesquisa e financiamento à inovação. “Estamos numa das melhores regiões do país, vanguarda da ciência. A Unicamp está completando 60 anos, uma das melhores universidades do país. Fora as outras universidades públicas e privadas, nós estamos numa região que é campeã de pesquisa, desenvolvimento e inovação”, afirmou Alckmin. Na avaliação dele, a estrutura científica e industrial da região pode contribuir para o avanço de setores estratégicos da economia brasileira.

Ao lado de Fernando Haddad, vice-presidente Geraldo Alckmin discursa no Largo do Pará, em Campinas. Foto: Guilherme Pierangeli/TV TODODIA

Alckmin mencionou ainda a presença de mais de 120 mil MEIs (microempreendedores individuais) na região de Campinas. Ele defendeu a ampliação do limite de faturamento anual da categoria, de R$ 81 mil para R$ 110 mil e, posteriormente, R$ 140 mil, além da possibilidade de contratação de até dois funcionários, conforme a proposta que apresentou durante a entrevista.
“O mundo moderno tem muito empreendedor. Não são nanos, nem micros, nem pequenos. São gigantes que carregam a economia no país, no Brasil inteiro”, disse. Para o vice-presidente, a ampliação dos limites pode impulsionar pequenos negócios e atividades como salões de beleza, barbearias, lanchonetes, lojas e oficinas.

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Jornada de trabalho e transporte gratuito
Outro tema abordado por Alckmin foi a proposta de mudança na jornada de trabalho, com a adoção da escala 5 por 2, em substituição ao modelo de seis dias de trabalho para um de descanso. Ele argumentou que as relações profissionais mudaram desde a legislação estabelecida na década de 1980 e que os avanços tecnológicos permitem aumentar a produtividade.
“A atual legislação é da década de 80, foi da Constituinte de 88. De lá para cá mudaram as relações de trabalho, a tecnologia permite você fazer mais com menos gente. A agricultura mecaniza, a indústria automatiza, até setor de serviços você tem uma tecnologia mais avançada. E agora entra a inteligência artificial”, afirmou.

Alckmin também relatou uma conversa que teve com uma trabalhadora de um estabelecimento na estrada, que explicou a dificuldade de conciliar o trabalho aos sábados e à noite com as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos. Para ele, a possibilidade de contar com dois dias de descanso pode beneficiar especialmente as mulheres. “Então, no mundo inteiro, você tem uma tendência a reduzir jornada de trabalho. […] Ela me falou: ‘Eu posso trabalhar sábado, posso trabalhar à noite. Agora, eu preciso de dois dias, porque eu não tenho empregada doméstica, eu tenho que cuidar da minha casa. Eu não tenho babá, eu tenho dois filhos, eu preciso de dois dias’”, contou o vice-presidente.

Questionado também sobre a proposta de transporte público gratuito aos finais de semana, Alckmin avaliou que o uso de emendas parlamentares para financiar a medida pode ampliar as possibilidades de lazer e convivência familiar. Segundo ele, a iniciativa permitiria que mais pessoas saíssem de casa e realizassem atividades nos dias de folga.

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Militantes se reuniram no Largo do Pará na manhã desta quarta-feira (21). Foto: Guilherme Pierangeli/TV TODODIA

Reforma tributária e indústria
Alckmin também destacou a reforma tributária, cuja discussão se estendeu por décadas no país. Ele citou estimativas de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), segundo as quais a mudança no sistema de impostos pode contribuir para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), dos investimentos e das exportações ao longo de 15 anos.
“A reforma tributária é guardada há 40 anos. Quarenta anos. A Europa fez isso lá atrás”, afirmou. Na avaliação do vice-presidente, a desoneração dos investimentos e das exportações pode favorecer a atividade econômica e fortalecer a indústria brasileira.

Ele citou ainda setores considerados estratégicos pelo governo federal, como agroindústria, complexo industrial da saúde, transição digital, energia e indústria aeronáutica. Alckmin mencionou a produção de biocombustíveis e a necessidade de desenvolver combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF, como parte da transição energética.

Haddad fala em risco de retrocesso
Durante a entrevista, Fernando Haddad abordou a disputa presidencial e defendeu a continuidade do governo Lula. O ex-ministro afirmou que a eleição deve ser analisada a partir da comparação entre os projetos apresentados pelos candidatos e citou temas como democracia, políticas sociais, direitos trabalhistas e desenvolvimento econômico.

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Haddad argumentou que o país precisa continuar avançando e que eventuais mudanças devem ocorrer para melhorar as condições de vida da população, e não para restringir direitos ou liberdades. Ele também mencionou indicadores sociais e econômicos que, segundo sua avaliação, melhoraram durante o atual governo. “O que talvez as pessoas possam querer é intensificar o ritmo da mudança para melhor. Agora, [não se pode] mudar para pior, voltar para trás, adotar o retrocesso do ponto de vista civilizatório, do ponto de vista das liberdades, direitos, do ponto de vista da busca da igualdade”, declarou.

O ex-ministro da Fazenda também afirmou que Lula e Alckmin compartilham uma visão estratégica para o país e disse que a continuidade dessa orientação está entre os pontos em disputa na eleição. “Nós temos duas pessoas na Presidência da República, presidente e vice, que têm uma visão de país, uma visão estratégica para o Brasil”, afirmou Haddad.

 

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Guilherme Pierangeli TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba
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