Em ato em SP, políticos de esquerda pedem renúncia de Moro
Líderes de partidos de esquerda discursaram contra a reforma da Previdência e pediram a renúncia do ministro da Justiça, Sergio Moro, no ato comemorativo à greve geral realizado na avenida Paulista na noite desta sexta-feira (14). “Qual é a moral de um presidente que se aposentou aos 33 anos tem para impor goela abaixo uma reforma da Previdência como essa?”, questionou o ex-prefeito de São Paulo ex-candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad.
Em frente à sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Haddad afirmou que os empresários da entidade sonegam impostos e não registram seus empregados. O ministro Sergio Moro “era partidário quando era juiz, imagine agora que é político. Ele descumpriu a lei e prendeu quem deveria estar no lugar do Bolsonaro”, disse Haddad, em alusão à condenação do ex-presidente Lula.
Para ele, Moro deve explicações sobre os diálogos recentemente divulgados do ex-juiz com o procurador Deltan Dallagnol. A presidente do PT, Gleisi Hoffman, afirmou que o governo Bolsonaro está “entregando nossas riquezas a outros países” Sobre o relatório da reforma da Previdência, afirmou que “é óbvio que qualquer coisa que fizesse seria melhor que a [proposta] que havia sido entregue. Queriam cortar os braços dos trabalhadores, agora querem cortar as mãos.”
“Não vamos aceitar o aumento da idade mínima para aposentadoria. Querem tirar o abono salarial.” Gleisi disse que Moro e a força tarefa da Lava Jato “têm que explicar direitinho o que é essa operação. Moro deve explicações sobre sua atuação”, disse. Aos gritos de “Moro safado, Lula sequestrado” da multidão, o ex-candidato à Presidência Guilherme Boulos (PSOL) afirmou que Moro “tem que sair, tem que pegar as malas e ir embora. Se quiser ir pra Miami, pode pegar as malas e levar o Paulo Guedes junto.”
Ele e o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) defenderam a renúncia do ministro e a anulação da sentença contra o ex-presidente Lula por supostas ilegalidades cometidas por Moro durante o julgamento. “Várias categorias cruzaram os braços e pararam. A turma do lado de lá estava com saudade [dos protestos]”, disse Boulos.
“É positivo ter tirado a capitalização e o ataque à aposentadoria rural, mas nós queremos que tire a redução da aposentadoria por invalidez, [o aumento] da idade mínima para aposentadoria.” Segundo Boulos, “a turma da Fiesp há dois anos vendeu a ideia de que tudo se resolveria se aprovasse o teto de gastos. Agora é a reforma da Previdência.”
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