Mais da metade dos moradores de Piracicaba relata perda do poder de compra
Índice Olhar Urbi aponta que 56,7% dos entrevistados sentiram redução do poder aquisitivo nos últimos 12 meses; pesquisa também analisa qualidade de vida e cenário político
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A percepção de perda do poder de compra foi relatada por 56,7% dos entrevistados em Piracicaba nos últimos 12 meses, segundo a primeira edição do Índice Olhar Urbi, lançado pelo Instituto Olhar Público. O levantamento pretende acompanhar mensalmente a avaliação dos moradores sobre a economia, a qualidade de vida e as perspectivas para o futuro.
Em entrevista à TV TODODIA, o cientista político e CEO do Olhar Público, Walton Pousa, explicou que o índice reúne diferentes indicadores sobre a realidade urbana para acompanhar mudanças na percepção da população. A proposta, segundo ele, é ampliar a pesquisa para outras cidades da região e permitir comparações entre os municípios.

Índice acompanha percepção da população
O Índice Olhar Urbi considera fatores como qualidade de vida, evolução do poder de compra nos últimos 12 meses, perspectivas econômicas e potencial de desenvolvimento da cidade onde o entrevistado mora.
De acordo com Pousa, a realização mensal da pesquisa permitirá identificar se a percepção dos moradores melhora, piora ou permanece estável ao longo do tempo. A avaliação sobre o poder de compra é um dos destaques da primeira edição, e as próximas rodadas deverão ajudar a compreender como as condições econômicas e as expectativas influenciam a percepção dos consumidores.
Rejeição e costumes entram na disputa eleitoral
Ao analisar o cenário político nacional, Pousa avaliou que a disputa presidencial está equilibrada e destacou a influência da rejeição dos candidatos na decisão dos eleitores. Na análise do cientista político, temas relacionados aos costumes também ganharam importância, enquanto parte do eleitorado ainda pode mudar de posição.
O pesquisador considera que o resultado do primeiro turno pode levar a mudanças nas estratégias das campanhas. A mobilização dos candidatos e de seus apoiadores, segundo ele, pode interferir no comportamento dos eleitores.
Pousa também ponderou que uma eventual mudança de governo não significa necessariamente uma transformação radical na condução da economia. Embora possam existir diferenças entre as propostas, a política econômica também é condicionada por fatores como o mercado, a situação fiscal e a atuação de outros agentes.
Economia, segurança e governos locais
O cientista político ressaltou que a percepção da população sobre a economia nem sempre acompanha diretamente os indicadores macroeconômicos. Ele citou o relato de perda do poder de compra mesmo diante de indicadores nacionais que, em sua análise, apontam resultados positivos, como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e os baixos níveis de desemprego.
Pousa também destacou a segurança pública como um fator que afeta a qualidade de vida. Segundo ele, levantamentos do instituto indicam preocupação dos moradores com a insegurança, inclusive entre pessoas que avaliam positivamente a própria situação financeira.
O pesquisador lembrou ainda que as condições econômicas e sociais do país não dependem apenas do presidente da República. O Congresso Nacional, os governos estaduais e as prefeituras também influenciam as políticas públicas e a qualidade de vida da população.
Na avaliação de Pousa, o comportamento do eleitorado pode mudar até a votação. Eleitores que não se identificam definitivamente com um dos lados da disputa podem ter papel relevante no resultado, especialmente em uma eleição marcada pela proximidade entre os candidatos apontada nas pesquisas de intenção de voto.
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