
Governo brasileiro rebate investigação dos EUA e critica possível interferência comercial
Planalto contesta relatório sobre Pix e afirma que não há justificativa para medidas contra o país
O governo brasileiro reagiu nesta terça-feira (2) à conclusão preliminar da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação norte-americana. Em nota oficial, o Palácio do Planalto contestou os argumentos apresentados, classificou a apuração como tentativa de interferência em assuntos internos e afirmou que não há justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil.
O posicionamento foi divulgado após reunião coordenada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que também ocupa o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Brasil cita superávit dos EUA
O governo destacou que os Estados Unidos acumulam saldo positivo na relação comercial bilateral há anos. Segundo dados apresentados, o superávit norte-americano entre 2011 e 2025 foi de US$ 424,5 bilhões.
Apenas em 2025, o saldo favorável aos EUA teria sido de US$ 40,5 bilhões. A nota também aponta que 76% das importações vindas dos Estados Unidos entraram no Brasil sem imposto, com alíquota média de 3,1%.
Pix é alvo de críticas
Entre os pontos questionados pelos Estados Unidos está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo BC (Banco Central). O relatório preliminar do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) indica que o modelo poderia favorecer o sistema brasileiro em relação a empresas estrangeiras.
O governo brasileiro rejeitou a avaliação e afirmou que o Pix é uma infraestrutura pública aberta, com regras iguais para empresas nacionais e internacionais.
Segundo o Planalto, não há restrições à atuação de companhias estrangeiras no mercado de pagamentos digitais no país.
Outros pontos da investigação
A nota também responde a questionamentos sobre acordos do Mercosul, propriedade intelectual, combate à corrupção e políticas ambientais.
Em relação ao meio ambiente, o governo afirma que mantém a meta de zerar o desmatamento até 2030 e aponta redução de cerca de 50% na Amazônia Legal em comparação com 2022. Segundo o comunicado, 2025 registrou o menor nível de desmatamento dos últimos sete anos no país.
Negociações seguem
Apesar das críticas, o governo informou que mantém diálogo com autoridades norte-americanas para tentar encerrar o processo antes da decisão final, prevista para 15 de julho.
O Brasil poderá apresentar novas manifestações até essa data e não descarta recorrer a mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica caso considere que eventuais medidas contrariem regras do comércio internacional.
*Com informações da Agência Brasil





