Lula diz em depoimento que prisão dele era um ‘prêmio’ na Lava Jato
Após quase três horas, com intervalo, terminou pouco antes das 18h de ontem o interrogatório do ex-presidente Lula na Justiça Federal do Paraná -o primeiro depois de sua prisão e o primeiro à juíza substituta de Sergio Moro, Gabriela Hardt.
Durante o interrogatório, Lula afirmou que sua prisão era “um prêmio” na Operação Lava Jato. “Só não sei para quem”, declarou.
O ex-presidente não chegou a falar da indicação de Moro ao ministério da Justiça, nem do resultado das eleições.
Mas fez críticas ao PowerPoint do procurador Deltan Dallagnol, utilizado na apresentação da primeira denúncia contra ele, e ao processo judicial durante suas considerações finais, no que foi brevemente repreendido pela juíza Hardt.
Ela pediu ao petista que ele não estimulasse esse tipo de postura, de crítica ao judiciário e ao processo legal.
Apesar de ter feito questionamentos incisivos, Hardt conduziu a audiência de forma bem menos tensa do que na época de Moro, segundo os defensores.
Sobre as acusações, Lula declarou que não participou das reformas no sítio, nem conversou com empreiteiros sobre o tema. “Ele mentiu”, disse, sobre Leo Pinheiro.
O ex-presidente ainda afirmou que acha improvável que sua mulher, Marisa Letícia, tivesse pedido as obras aos proprietários do sítio ou aos empreiteiros.
Antes dele, depôs também o pecuarista José Carlos Bumlai.
Os dois são réus na ação sobre as reformas no sítio de Atibaia (SP), que era frequentado pelo ex-presidente -e que, segundo o Ministério Público Federal, pertencia de fato ao petista.
Advogados que acompanharam a audiência disseram que Hardt fez questionamentos incisivos, tanto quanto seu antecessor, e acharam o ex-presidente, detido desde abril, mais magro.
Essa foi a primeira vez que Lula deixou a prisão, na sede da Polícia Federal em Curitiba.
Mas José Roberto Batochio, que integra a defesa de Lula, afirmou a manifestantes que saiu “com o coração mais leve”, e disse que o político prestou um depoimento satisfatório.
Ao contrário de audiências passadas (este é o terceiro interrogatório de Lula na Justiça Federal do Paraná), o esquema de segurança foi reduzido, e apenas a praça em frente ao prédio foi interditada. Cerca de 150 manifestantes em apoio a Lula se concentraram no local, e não houve confrontos.
Aliados aproveitaram a ocasião para criticar Hardt, que irá conduzir os processos da Lava Jato até a escolha de um novo juiz titular.
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