Democratas dos EUA criticam visto concedido a Flávio Bolsonaro
Comitê compara o tratamento dado ao senador e à família com a política migratória aplicada a pessoas que fogem de conflitos
Voz gerada por inteligência artificial
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos criticou a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Nas redes sociais, o comitê, ligado aos democratas, comparou a política migratória dos Estados Unidos para pessoas que fogem de conflitos com o tratamento dado a Flávio e à família Bolsonaro.
Em publicação no X, o comitê afirmou: “Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”.
Na sequência, o comitê escreveu: “Aparentemente, fugir da violência não qualifica [o migrante a entrar nos Estados Unidos]. Negar resultados eleitorais, sim”. A publicação mencionou que o Departamento de Estado planeja conceder vistos a Flávio e à família.
Em seu perfil no Instagram, o parlamentar democrata Joaquin Castro afirmou que “perder as eleições não é motivo para asilo”. Ele se referia à derrota de Flávio na eleição presidencial, cujo resultado foi divulgado no domingo (26).
Castro também escreveu: “Ainda assim, o governo Trump está concedendo refúgio a Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. No Brasil, ele está sob investigação por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas e foi ordenado a entregar seus passaportes”.
Para Castro, o governo Trump deve explicações ao Congresso norte-americano “por seu papel em ajudar [Flávio] Bolsonaro a fugir do Brasil, violando a legislação brasileira”.
Entenda
Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas chegaram a Miami nesta quarta-feira (28), depois de cruzarem a fronteira brasileira com a Argentina e embarcarem para os Estados Unidos. O avião particular em que estavam fez uma parada no Equador.
Na terça-feira (27), um aliado próximo de Flávio e uma fonte do governo norte-americano confirmaram à agência Reuters que o senador havia viajado para os Estados Unidos. Ele não cumpriu o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes à Polícia Federal.
Na véspera, após ser intimado pelo Judiciário, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em que negou que pretendesse deixar o Brasil. Ele disse que ficaria no país para organizar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo, e derrotar o senador no segundo turno da eleição presidencial, por mais de 4,4 milhões de votos.
Investigação por lavagem de dinheiro
Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse os passaportes no âmbito de um inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro junto com o advogado Willer Tomaz, amigo dele. Os dois negam qualquer irregularidade.
A decisão do ministro foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, afirmar em uma transmissão nas redes sociais que o senador deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial e liderar a oposição brasileira do exterior.
Reportagem de Paula Laboissière, da Agência Brasil. Publicado originalmente em agenciabrasil.ebc.com.br.
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