A Petrobras perdeu R$ 32,4 bilhões em valor de mercado após o presidente Jair Bolsonaro impedir o aumento do diesel previsto para ontem. Temeroso com uma eventual nova paralisação dos caminhoneiros, Bolsonaro ordenou ao presidente da estatal, Roberto Castello Branco, que revogasse horas depois de a medida ser divulgada, ainda na quinta.
A interferência do governo assustou o mercado, que colocou nos preços das ações o receio de que intervenções se tornem a regra, e não a exceção. O reajuste anunciado era de 5,7%. As ações cederam ao redor de 8%. Os papéis preferenciais (mais negociados) recuaram a R$ 25,83, enquanto os ordinários (com direito a voto) fecharam a 29,13. Os recibos de ações da estatal negociados em Nova York tiveram perdas acima de 9%.
É a maior queda percentual da companhia desde 1º de junho de 2018, quando Pedro Parente renunciou ao cargo de presidente da estatal, em meio à pressão para mudança na regra de reajuste dos combustíveis, por pressão do governo.
O tombo da Petrobras levou a Bolsa brasileira de arrasto, apesar do dia positivo no exterior: o Ibovespa, principal índice acionário do país, recuou 1,98%, a 92.875 pontos, no menor nível desde 27 de março, quando a preocupação era a reforma da Previdência. O giro financeiro foi de R$ 21 bilhões, o que reflete a liquidação que os investidores fizeram após a notícia negativa. A média diária de negociação neste ano ronda os R$ 16 bilhões.
O banco BTG Pactual classificou a intervenção de Bolsonaro na Petrobras como um déjà vu, uma lembrança amarga dos congelamentos de preços de combustíveis da gestão de Dilma Rousseff (PT), que colocaram a companhia em crise financeira. BTG citou, porém, que a medida pode ser uma forma de conter uma eventual nova paralisação de caminhoneiros. “Então ficamos com um dilema.
Enquanto as consequências de uma nova greve provavelmente seriam muito negativas para a agenda de crescimento do país (incluindo reformas) e inclusive para a Petrobras, a percepção de que a companhia está exposta a influências políticas, mesmo sob uma agenda [governo] liberal, coloca em risco o seu pilar central de processo de redução de riscos”, disse o BTG.
CONGELADO
Por enquanto, o preço do diesel permanece congelado, o que representa uma perda de R$ 14 milhões por dia a Petrobras. Depois da política de ajustes diários, iniciada pelo governo Michel Temer (MDB) , que culminou na paralisação dos caminhoneiros de 2018, o método de cálculo começou a ser flexibilizado.
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