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Cultura para todos

Com ousada proposta de democratizar a arte, Claudia Raia inaugura o "Teatral"

“Graças a Deus ninguém consegue me dizer não.” É assim que a atriz Claudia Raia, 51 anos, explica como conseguiu reunir um time de 14 personalidades influentes em diferentes segmentos para inaugurar o Teatral (lê-se Espaço Teatral), no Instituto Tomie Ohtake, em Pinheiros.

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Com a ajuda desse grupo, a atriz será curadora artística do espaço e espera unir manifestações não só do teatro musical, mas dos esportes, da gastronomia, do cinema, da música, da literatura e de outras vertentes. Um dos planos de Claudia é investir em ingressos populares. A inauguração aconteceu com o espetáculo “Charles Chaplin, o Musical”.
O diretor de teatro, José Possi Neto, 71, foi um dos primeiros a aceitar a parceria. “O Possi fala que eu deveria ter nascido na Alemanha, porque tudo o que eu penso já foi feito na Europa, mesmo sem eu saber disso”, brinca a atriz. “Ele morou muitos anos no exterior e diz que esse conceito de unir temas e culturas é muito feito em Paris, por exemplo”, afirma Claudia.

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Ela conta que o teatro deve ficar aberto todos os dias da semana. Pode ser com mostras de cinema, espetáculos de teatro e de dança, shows, palestras, workshops e cursos de formação. “Vou receber artistas de rua que tenham pouco espaço e oportunidade de divulgar a sua arte”, diz ela, que quer estar perto do seu público. “Claro que temos de pagar as contas, mas esse projeto é maior do que isso. Sou uma atriz popular, que faz televisão e não posso impedir que o meu público chegue até mim”, defende Claudia.
Além de ingressos a preços populares, ela quer formar um público para o teatro, com projetos para crianças, adolescentes e ainda formar profissionais. “Preciso deixar o meu legado, repassar tudo o que aprendi. Há cargos no teatro musical que ainda nem existem aqui no Brasil. Minha ideia é abrir cursos para formar profissionais que trabalhem pelo instinto. Há pessoas que não tiveram como estudar porque não há cursos por aqui”, diz a atriz.

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Artistas e companhias de teatro independentes também devem ter espaço no projeto que foi idealizado por Claudia. “Há artistas e produtores que não conseguem pagar o teatro para poder entrar nele. Então, espero conseguir trazer qualquer tipo de companhia. Pensei em uma forma de gestão em que eu consiga pagar as contas e dar lugar para todo o mundo”, finaliza ela.

 

CURADORES

A atriz Claudia Raia teve dois meses para reunir um time de especialistas em diferentes áreas para compor o projeto do Teatral.
A ideia é que esses nomes sejam substituídos periodicamente. “Nosso critério de escolha foi encontrar pessoas apaixonadas pelo que fazem e que possam passar o seu legado, além de apresentar o futuro em cada área”, afirma. “Esse é o time dos sonhos. Sei que são pessoas muito ocupadas, mas que ajudarão a conceituar as primeiras ideias desse projeto.”
No cinema, por exemplo, o crítico Rubens Ewald Filho disse que gostaria de debater o motivo pelo qual o brasileiro tem vergonha de dizer que gosta de comédia brasileira. “Todos acham que são filmes secundários, mas temos grandes talentos, como a Ingrid Guimarães, que lota salas em todo o país”, afirma o crítico.
A própria Ingrid, aliás, acredita que a discussão pode ir além. “Há também uma divisão entre o blockbuster [filme de grandes bilheterias] e o cinema autoral, como se eles competissem. Queremos que as pessoas tenham acesso a esses dois tipos de cinema”, defende a atriz.
A escritora Thalita Rebouças é a entusiasta do público adolescente e Claudia Raia a convidou com esse intuito. “Queremos abraçar os jovens, que estão ficando cada vez mais distantes do teatro”, afirma Claudia.

 

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