Operação Nexus cumpre três mandados em Campinas contra suspeitos de ligação com grupo de tráfico e lavagem de dinheiro
Gaeco Campinas e Polícia Militar realizam 26 buscas e cinco prisões contra organização suspeita de tráfico de drogas e lavagem de capitais
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, realizou nesta terça-feira (15) a Operação Nexus contra uma organização criminosa suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Itatiba, na Região Metropolitana de Campinas. A ação teve três mandados de busca e apreensão cumpridos em Campinas, incluindo uma loja de veículos de luxo e dois imóveis relacionados a um empresário investigado.
Com apoio da Polícia Militar, por meio do 1º e do 10º BAEPs (Batalhões de Ações Especiais de Polícia), foram cumpridos 31 mandados, sendo cinco de prisão e 26 de busca e apreensão. Os demais mandados foram cumpridos em Itatiba. Seis pessoas foram presas: cinco por mandados de prisão e uma em flagrante por tráfico de drogas, depois que policiais encontraram entorpecentes durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.
Mandados em Campinas
Um dos alvos em Campinas é um empresário dono de uma loja de veículos de luxo, localizada em um bairro de alto padrão da cidade. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão relacionados a ele: um no estabelecimento comercial e outros dois em imóveis.
Segundo o Gaeco, o empresário mantinha uma relação com o principal alvo da operação, conhecido como Tim, que pode ter ido além das negociações comerciais. O promotor Rafael Salzedas, do Gaeco Campinas, explicou que o empresário não foi preso nesta etapa porque, neste momento, a investigação busca esclarecer a natureza do vínculo.
“Ele foi só de busca nesse momento, porque a gente viu que ele tinha um vínculo com o líder da organização que a gente atribui ao papel de liderança e a esposa dele. Então, nesse momento, como a gente entendeu que o vínculo também vai um pouco além da relação meramente comercial, pode indicar aí uma participação, pelo menos no crime de lavagem.”
Segundo a investigação, o empresário teria funcionado como uma espécie de banco para Tim, com pagamentos que superam R$ 2 milhões. Documentos e equipamentos foram apreendidos e serão analisados para verificar a movimentação e a origem dos recursos.
Tim é apontado como liderança
O principal alvo da operação é um homem conhecido como Tim. Segundo as investigações, ele é apontado como uma liderança regional do Primeiro Comando da Capital (PCC) e teria um papel de comando dentro da organização.
A polícia afirma que ele mantém ligação com o grupo criminoso desde 2008 e que, mesmo atuando como empresário, teria continuado envolvido com o tráfico de drogas. “As investigações indicam que ele é uma liderança regional do Primeiro Comando da Capital, ele tem uma relação longeva nas nossas informações desde 2008. Ele tem passagem por roubo, teve uma passagem por tráfico, ele foi absolvido lá atrás. E ele manteve a atuação ali no tráfico, ele… a primeira pessoa que a gente prendeu no primeiro momento se reportava a ele. Dava para ver que ele ocupava um papel de liderança e ao mesmo tempo que ele era também um empresário na cidade, mas ele continuou traficando”, afirmou Salzedas.
Tim foi preso com a mulher em um condomínio de alto padrão de Itatiba. Durante a investigação, ele teria adquirido e negociado mais de 20 veículos de luxo, entre Lamborghini, Ferrari e Porsche. Para o Ministério Público, o patrimônio identificado não é compatível com a renda declarada pelos investigados.
Vereador é investigado
Outro alvo da operação é um vereador de Itatiba. Mandados de busca foram cumpridos na casa dele e na Câmara Municipal. O parlamentar é investigado por uma possível participação no núcleo de monitoramento da organização criminosa, que utilizava câmeras espalhadas pela cidade para acompanhar a movimentação das forças de segurança.
Segundo o Gaeco, o vereador e a esposa dele presidiam, em momentos diferentes, uma associação à qual as câmeras estariam vinculadas. “Essa associação que a gente vinculou as câmeras inicialmente, que a gente tá continuando a apurar, era presidida por esse vereador e pela esposa dele. Então a gente achou os documentos, indicaram que os dois foram e são presidentes em momentos diferentes. Então, o vínculo é esse. Como as câmeras possivelmente são vinculadas à associação, foi por isso que foi feita a busca na residência dele, na sede da associação e na Câmara de Vereadores.”

Câmeras monitoravam a cidade
A Polícia Militar cumpriu sete mandados relacionados às câmeras de vigilância. Foram desinstaladas e apreendidas dez câmeras, dois DVRs e dois roteadores.
Segundo o Gaeco, os equipamentos eram usados como câmeras comunitárias, mas teriam sido apropriados pelo tráfico para monitorar as entradas e os principais pontos de controle da cidade. “O que chamou a atenção nessa, além da parte do tráfico e da presença de pessoas de elevado poder econômico, empresários, chamou atenção também foi o fato de que essa organização criminosa monitorava a cidade, as entradas e os principais pontos de controle, o que impedia a atuação diária até dos órgãos de controle, da Polícia Militar, Polícia Civil, para fazer flagrante, para apreender drogas, verificar criminosos, porque eles tinham um controle constante, eles sempre se atualizavam sobre as condições dos pontos, quem tava entrando, quem tava saindo e esse controle era pela cidade toda.”
De acordo com os investigadores, a organização tinha núcleos diferentes, responsáveis pelo comando, distribuição das drogas e monitoramento. Os integrantes acompanhavam a movimentação da cidade e informavam quando havia condições para os pontos de venda continuarem funcionando sem a presença da polícia.
Além dos seis presos, a operação apreendeu dinheiro, drogas, veículos, documentos, celulares e computadores. Todo o material recolhido nesta terça-feira será analisado pela polícia e pelo Ministério Público para aprofundar a investigação, rastrear o dinheiro e identificar outros integrantes da organização criminosa.
*Atualizado às 17h44.
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