
O telescópio Solar Dynamics Observatory da Nasa identificou no último domingo (3) um ‘buraco’ na coroa solar, a camada externa da atmosfera do sol, que chega a 800 mil km², equivalente a 60 vezes o tamanho da Terra.
A observação identificada pelos cientistas gerou uma certa preocupação por muitas pessoas, aliás, um possível ‘buraco’ na estrela que ilumina nossos dias pode ser estranho para quem não acompanha tanto o Sistema Solar. Para entender melhor o que aconteceu, o TODODIA conversou com o astrônomo e coordenador do OMA (Observatório Municipal de Americana), Carlos Andrade.
O astrônomo relata que o buraco não é bem um buraco de verdade como idealizamos quando falamos desse assunto. As estrelas, como o Sol, são corpos gasosos e não possuem nada sólido, o acaba gerando grandes áreas como as encontradas por decorrência da variação da força magnética do sol, formando esses ‘buracos’ coronais.
Segundo Carlos, isso é um fenômeno absolutamente normal e natural, e acontece mais nos períodos de baixa atividade, porém, diferente agora porque estamos no período de alta atividade. “O Sol a cada 11 anos, por motivos ainda não muito conhecidos, ele entra na chamada máxima atividade solar – que vai acontecer ano que vem, entre 2024 e 2025 –, que é quando o sol fica extremamente agitado nesses picos dados a cada 11 anos”, complementa, afirmando que isso não nos traz impactos diretos nos seres humanos.
Impactos
Com a abertura como essa encontrada em dezembro, são liberados feixes de radiação mais fortes que o habitual, que atingem a Terra.
A grande quantidade de vento solar e radiação escapando por esse buraco e vindo em direção a terra pode gerar um fenômeno chamado “tempestade geomagnética” ou “tempestade solar” que em uma escala maior pode levar falhas nos sistemas elétricos, prejudicando funcionamento de equipamentos como os de comunicação ou até mesmo interrompendo serviços iguais em 1859, no chamado de Evento Carrington.
Essas tempestades podem variar de intensidade, podendo essa ocasionada nos próximos anos sendo de intensidade G2, considerada de nível moderado. A escala vai do G1 ao G5.
“É comum termos quedas no sinal de satélite, tudo que envolva rádio-telecomunicação, tendo falhas em celulares, televisão, internet, rádio, tudo influenciado por esse vento solar”, disse. Mas para Carlos, isso não pode ser motivos para maiores preocupações no momento e que o OMA e demais astrônomos estão atentos para o que acontece no Sol.
“Estamos de olho no Sol como sempre estivemos, um dos trabalhos do observatório é justamente o patrulhamento solar, que nós já vemos fazendo há algumas décadas e então temos visto essa curva da atividade, nesse ciclo de 11 anos facilmente”, finaliza.