terça-feira, 7 abril 2026
RISCO EPIDEMIOLÓGICO

Mpox pode ser considerada como emergência global, segundo a OMS

A decisão de convocar o comitê de emergência levou em conta o registro de casos fora da República Democrática do Congo, onde as infecções estão aumentando há mais de dois anos
Por
Vitória Silva
Foto: Mpox / Getty Images

Para esta quarta-feira (14) a OMS (Organização Mundial da Saúde) intimou o comitê de emergência para avaliar o cenário de surto de Mpox na África e o risco de disseminação internacional da doença. Na última quarta-feira (7), o diretor geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez o anúncio em sua rede social X.

De acordo com Tedros, a decisão de convocar o comitê de emergência levou em conta o registro de casos fora da República Democrática do Congo, onde as infecções estão aumentando há mais de dois anos. O cenário foi se complicando durante os últimos meses por conta de uma mudança que levou à transmissão do vírus de pessoa para pessoa.

Na terça-feira (13), o CDC África (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) comunicou o cenário de mpox na região como emergência em saúde pública de segurança continental. O anúncio foi feito pelo diretor geral da entidade, Jean Kaseya, ao citar a rápida transmissão da doença na África.

“Esse não é apenas mais um desafio. O cenário exige ação coletiva”, disse. “Nosso continente já presenciou diversas lutas. Já enfrentamos pandemias, surtos, desastres naturais e conflitos. Ainda assim, para cada adversidade, agimos. Não como nações fragmentadas, mas como uma única África. Resilientes, de forma engenhosa e resoluta”.

Casos

A OMS registrou 99.176 casos confirmados de mpox em 116 países, entre janeiro de 2022 a junho de 2024. Neste período, foram contabilizadas ainda 208 mortes provocadas pela doença.

Na segunda-feira (12) foi divulgado dados do relatório de situação que mostram que, somente em junho, foram confirmados 934 casos laboratorialmente e quatro mortes foram notificadas em 26 países.

De acordo com o número de casos confirmados, as regiões mais afetadas em junho foram África (567 casos), América (175 casos), Europa (100 casos), Pacífico Ocidental (81 casos) e Sudeste Asiático (11 casos).

No continente africano, a República Democrática do Congo responde 96% dos casos confirmados em junho. A OMS alerta, entretanto, que o país tem acesso limitado a testes em zonas rurais e que apenas 24% dos casos clinicamente compatíveis e notificados como suspeitos no país, foram testados em 2024.

Ao menos quatro novos países na África Oriental, incluindo Burundi, Quênia, Ruanda e Uganda, reportaram os primeiros casos de mpox, todos conectados ao surto em expansão na região. Já a Costa do Marfim registra um surto da doença, porém, de outra variante, enquanto África do Sul confirmou mais dois casos.

Maior letalidade

No fim de junho, a OMS chegou a alertar para uma variante mais perigosa que a mpox. A taxa de letalidade pela nova variante 1b na África Central chega a ser de mais de 10% entre crianças pequenas, enquanto a variante 2b, que causou a epidemia global de mpox em 2022, registrou uma taxa de letalidade de menos de 1%.

Imunização

Esta semana, a OMS publicou documento oficial solicitando a fabricantes de vacinas contra a mpox que submetam pedidos de análise para o uso emergencial das doses. O processo foi desenvolvido especificamente para agilizar a disponibilidade de insumos não licenciados, mas necessários em situações de emergência em saúde pública.

“Essa é uma recomendação com validade limitada, baseada em abordagem de risco-benefício”, destacou a entidade. No documento, a OMS solicita que os fabricantes de vacinas contra a doença apresentem dados que possam atestar que as doses são seguras, eficazes, de qualidade garantida e adequadas para as populações-alvo.

A concessão de autorização para uso emergencial, segundo a organização, deve acelerar o acesso às vacinas, sobretudo para países de baixa renda e que ainda não emitiram sua própria aprovação regulamentar. O processo também permite que parceiros como a Aliança para Vacinas (Gavi, na sigla em inglês) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) adquiram doses para distribuição.

Doença

A doença mpox ficou popularmente conhecida como varíola do macaco. É considerada uma doença zoonótica viral, ou seja, o vírus é transmitido aos seres humanos através dos animais. A transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com animais silvestres infectados, pessoas infectadas pelo vírus e materiais contaminados. Os sintomas, em geral, incluem erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrio e fraqueza.

As lesões podem ser planas ou levemente elevadas, preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas que secam e caem. O número de lesões pode variar de algumas a milhares. As erupções tendem a se concentrar no rosto, na palma das mãos e na planta dos pés, mas podem ocorrer em qualquer parte do corpo, inclusive na boca, nos olhos, nos órgãos genitais e no ânus.

Primeira emergência

Em maio de 2023, quase uma semana após alterar o status da covid-19, a OMS declarou que a mpox também não configurava mais emergência em saúde pública de importância internacional. Em julho de 2022, a entidade havia decretado status de emergência em razão do surto da doença em diversos países.

“Assim como com a covid-19, o fim da emergência não significa que o trabalho acabou. A mpox continua a apresentar desafios de saúde pública significantes que precisam de resposta robusta, proativa e sustentável”, declarou, à época, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.

“Casos relacionados a viagens, registrados em todas as regiões, demonstram a ameaça contínua. Existe risco, em particular, para pessoas que vivem com infecção por HIV não tratada. Continua sendo importante que os países mantenham sua capacidade de teste e seus esforços, avaliem os riscos, quantifiquem as necessidades de resposta e ajam prontamente quando necessário”, alertou Tedros em 2023.

Receba as notícias do Todo Dia no seu e-mail
Captcha obrigatório

Veja Também

Veja Também