sábado, 11 abril 2026
VARIAÇÃO DE PREÇO

Produtos essenciais da cesta de consumo pressionam alta do IPS em junho

Bebidas alcóolicas, produtos de limpeza, carne bovina, leite e industrializados apresentaram preços mais altos
Por
Redação
Foto: Reprodução

As bebidas alcoólicas, os produtos de limpeza e os artigos de higiene pessoal e beleza registraram alta moderada de preços em junho, com variação de 0,15%, 0,29% e 0,23%, respectivamente. Por outro lado, as bebidas não alcoólicas ficaram estáveis, enquanto os produtos in natura registraram a primeira redução de preços desde setembro de 2023 (-0,42%). É o que aponta o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fipe.

De acordo com o índice, houve inflação de 0,80% em junho, ante o aumento de 0,27% do mês anterior. A alta do indicador no mês de referência foi puxada pelos preços das categorias de produtos semielaborados (1,55%) e industrializados (1,06%).

Com o resultado, o IPS acumula alta de 3,23% no ano, enquanto em doze meses, o índice, que ainda traz o efeito desinflacionário do segundo semestre de 2023, aponta alta de 2,61%.

Para o segundo semestre deste ano, a APAS estima que o IPS continue em ascensão, especialmente entre os meses de julho a setembro, motivado por fatores como câmbio e alterações climáticas. O cenário projetado pela APAS considera tanto os efeitos do mercado doméstico quanto os impactos provenientes do setor externo.

Semielaborados

A categoria de produtos semielaborados registrou alta de 1,55% em junho, com esse resultado a categoria acumula inflação de 5,94% no ano. O aumento apurado em junho foi resultado da elevação de preços ao consumidor final, especialmente, do leite e da carne bovina, que variaram 6,98% e 0,46%, respectivamente. Enquanto essas subcategorias de produtos registraram alta, o preço do frango recuou -0,64%, e a carne suína (0,04%) e os cereais (0,02%) ficaram relativamente estáveis.

Com o resultado de junho, as subcategorias que compõem o grupo de semielaborados acumulam variação no ano na ordem, no acumulado dos últimos 12 meses: -8,56% (carne bovina), -2,40% (carne suína), 0,83% (pescados), 4,0% (leite), 12,21% (cereais) e 14,50% (aves).

Carne bovina

A carne bovina registrou alta no mês de junho motivada principalmente pelo aspecto sazonal decorrente da mudança de estação do ano, que afeta os pastos e alteram a dieta de engorda bovina. O aumento do subgrupo de carne bovina não foi uniforme entre os diferentes cortes, enquanto o contrafilé (3,38%) e a fraldinha (3,67%) registraram inflação no mês, o coxão duro (-4,11%), a costela (-4,06%), o alcatra (-0,58%) e o músculo (-0,42%) apuraram redução de preços.

Apesar da alta mensal, a carne bovina ainda acumula deflação tanto no ano (-2,01%) quanto em doze meses (-8,56%). Todos os cortes bovinos acumulam queda em doze meses, porém, durante o primeiro semestre do ano, alguns cortes tidos como menos nobres, como músculo, braço e patinho já registram aumento nos preços.

Leite

A subcategoria de leite registrou expressiva alta no mês (6,98%), acumulando avanço de cerca de 25% no ano. O aumento do preço do leite ao consumidor final nos últimos meses é fruto do inflação em toda a cadeia. O preço do leite ao produtor indica que desde abril o produto vem escalando os preços. A alta no preço do leite é decorrente, principalmente, da redução da oferta e da entressafra nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, além do atraso na safra do Sul do país devido ao clima. A redução dos investimentos “dentro da porteira” ao longo do segundo semestre do último ano produziram efeito sobre a oferta doméstica e sobre o preço do produto ao consumidor final do mercado interno.

Cereais

Dentre a categoria dos cereais, o arroz continua mostrando tendências inflacionárias, com sucessivos aumento nos preços ao longo dos últimos 12 meses e no acumulado do ano de 2024 até junho. Em contrapartida, feijão e milho mostraram deflação, com quedas nos preços durante o mesmo período. O preço do arroz aumentou em 3,04% em junho de 2024, contribuindo para uma inflação de 29,25% nos últimos 12 meses e um aumento de 10,21% no acumulado do ano de 2024 até junho. O feijão por sua vez apresentou redução significativa de preços em junho (-5,25%).

Industrializados

A categoria de produtos industrializados, após deflação de 0,44% em maio, registrou alta de 1,06% em junho. É fruto do aumento de preços de todas as subcategorias que compõem os produtos industrializados, porém, as altas mais expressivas foram dos cafés, achocolatados em pó e chás (2,92%), derivados de leite (1,82%), panificados (1,34%) e óleos (1,22%).

Com o resultado do último mês, a categoria acumula alta de 1,01% no ano e 0,45% nos últimos doze meses. Apesar da alta moderada na categoria no ano, a recente escalada do câmbio poderá impactar diferentes produtos ou grupo de produtos, especialmente, derivados de trigo (produtos panificados), óleos (mais precisamente, o azeite), cafés. De modo geral e, o câmbio impacta quase todos as cadeias produtivas, porém aquelas que estão mais expostas ao mercado externo, são as primeiras a sentirem os efeitos da alta do câmbio.

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