quinta-feira, 15 janeiro 2026
VALORIZAÇÃO LITERÁRIA

Vestibular da USP vai cobrar obras indígenas e quadrinhos

Universidade divulgou livros de leitura obrigatória entre 2030 e 2033
Por
Redação
A lista possui uma maior diversidade de autores e gêneros de obras. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Universidade de São Paulo (USP) divulgou as obras de literatura para leitura obrigatória que será cobrada dos vestibulandos nos exames de 2030 a 2033. A lista traz mudanças em relação aos autores do ciclo 2026-2029 e amplia gêneros literários e a origem dos autores.

A aprovação
A nova relação foi aprovada em reunião do Conselho de Graduação da universidade, por unanimidade, e traz o retorno de obras de teatro como referência, gênero que esteve de fora nos últimos exames, além de incluir os quadrinhos, por meio de uma graphic novel (romance gráfico).

Será a primeira vez que os autores indígenas serão cobrados na Fuvest, com a obra Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena, uma coletânea de contos de Trudruá Dorrico e Maurício Negro, no biênio 2030-2031, e Fantasmas, de Daniel Munduruku, para 2032-2033.

Objetivos
“Temos a preocupação de trazer visões mais contemporâneas, abordando um espectro de problemas mais amplo e favorecendo a avaliação comparativa entre escolas literárias e as próprias obras”, explicou o diretor executivo da Fuvest (Fundação para o Vestibular) Gustavo Monaco.

A abordagem, que tem sido o tom tanto na Fuvest quanto em outros vestibulares e no próprio Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), vem de uma percepção que Monaco resume como a de que o conhecimento é fracionado apenas por razões didáticas. Ele destaca a importância de os estudantes que chegam à universidade serem capazes de estabelecer relações entre essas concepções e narrativas diferentes.

Consequências
A ampliação também impacta a correção das questões. A banca de português é a maior da Fuvest, pois todos os candidatos da segunda fase fazem a prova, e são cerca de 30 mil pessoas. Metade das questões envolve literatura, e a correção delas cabe a professores da USP, doutorandos, ex-alunos de doutorados e alunos de pós-doutorado. Com a ampliação, cresce a complexidade das perguntas, e também das respostas.

“Tem sido mais comum, durante a correção, que surjam debates, pois algumas respostas trazem novas formas de pensar os temas, com abordagens que levam a pensar novas formas de comparação”, comenta Monaco.

A lista amplia a retomada de autores masculinos, já que as obras cobradas entre 2026 e 2028 tinham somente autoras, e manterá a paridade de gêneros.

Confira a lista de obras:
Lista de livros para 2030 e 2031
– Laços de Família, Clarice Lispector (contos);
– Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena, Trudruá Dorrico e Maurício Negro (contos);
– A Moratória, Jorge Andrade (teatro);
– Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia);
– Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel);
– Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance);
– Memorial do Convento, José Saramago (romance);
– A Ilha Fantástica, Germano Almeida (romance);
– Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus (romance).

Lista de livros para 2032 e 2033
– Laços de Família, Clarice Lispector (contos);
– Orfeu da Conceição, Vinicius de Moraes (teatro);
– Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia);
– Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel);
– Úrsula, Maria Firmina dos Reis (romance);
– Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance);
– O Plantador de Abóboras, Luís Cardoso (romance);
– Casa de Família, Paula Fábrio (romance);
– Fantasmas, Daniel Munduruku (romance).

*Com informações da Agência Brasil.

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