“As pessoas estão com expectativa, estão procurando pacotes. Todo mundo quer um milagre. Perguntam de preços bons para o Réveillon”. O relato é de Sarita Nicoleti, 40, dona da agência de viagens Flyworld, de Americana. Agências de viagens da região relataram um tímido aumento de procura nos últimos meses.
Sarita conta que tem surgido uma demanda nova. “Ainda devagar, mas tem uma pequena demanda sim. Muita gente procura, mas ainda assim na hora de fechar se sentem inseguras”, explica. A dona da agência de viagens revela que os clientes querem fechar viagens para março, abril e maio do ano que vem, em destinos nacionais.
“Os destinos internacionais quase não tem procura. Como muitas fronteiras estão fechadas, só quem precisa mesmo”, explica. Sarita cita a insegurança como motivo de os clientes não baterem o martelo e fechar um pacote neste momento da pandemia.
“No Sul, em Santa Catarina, o Beto Carrero abriu. O Nordeste está começando a reabrir. As pessoas querem esperar para saber como vai ser essa reabertura para tomar a decisão de compra”, explica a proprietária.
Sarita conta que desde o início da quarentena a agência manteve contato com os clientes. “Foram muitos pacotes cancelados, então tem muita remarcação. A maioria ainda aguarda. É difícil vender neste momento. Um respiro que tivemos foi com viagens corporativas, pessoas que tiveram que ir para a Curitiba a trabalho. É pequeno, mas é uma ajuda”, diz.
Outra agência de Americana, a Sonho Real Viagens e Turismo, também voltou a ter procura nos últimos dois meses. Segundo a gerente de marketing Bruna Torres, 28, há pacotes para oferecer.
“Em meados de maio, às pessoas voltaram a comprar viagens. Existem muitas opções atrativas e a programação para o próximo ano pode e deve acontecer. Os voos nacionais estão voltando aos poucos e alguns dos internacionais retomam em agosto, isso vai ajudar muito na nossa volta”, afirmou.
Bruna diz que os dois primeiros meses da pandemia foram os piores. “Graças ao nosso sistema, as remarcações foram fáceis para fazer, tínhamos ali todas as informações de quem estava para embarcar dentro dos próximos meses e conseguimos trabalhar com antecedência. Os fornecedores também foram flexíveis nesse momento”, explicou.
A gerente citou ainda que a Sonho Real trabalha com viagens de incentivo (premiação), o que tem auxiliado nas vendas. “Fechamos grandes grupos durante estes meses de pandemia”, diz.
Para Bruna, há um outro lado da pandemia. “Apesar de toda a tristeza, nos mostrou coisas boas, para evoluirmos como pessoas e empresas. Trouxe a possibilidade de se programar com bastante antecedência. Agora tem viagens à venda até dezembro de 2021”.
Agnes Mazzaro Agnello, 40, dona da Ama Turismo, agência de viagens de Sumaré, conseguiu remarcar todos os clientes que tinham viagens de março até agora. “Coloquei uma margem de segurança até novembro, vamos ver após este período”. Agnes confessa que as vendas seguem abaixo desde o início da quarentena, mas que o pior já passou.
“Esse mês já começou a aumentar. Apareceram muitos viajantes interessados, principalmente em viagens nacionais ou viagens a longo prazo”, revelou.