segunda-feira, 5 janeiro 2026
IMBRÓGLIO

Americana: venezuelanos realizam ato para celebrar a queda de Nicolás Maduro

A manifestação foi organizada um dia após bombardeios que atingiram o país sul-americano e reuniu imigrantes venezuelanos que vivem na cidade e em municípios da região
Por
Diego Rodrigues

Venezuelanos que moram em Americana realizaram, neste domingo (4), um ato em apoio à intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e à captura do então presidente Nicolás Maduro. A manifestação ocorreu na Avenida Brasil, nas proximidades do Comercial Esperança, e teve como lema “um passo para a liberdade”.

O protesto foi organizado um dia após bombardeios que atingiram o país sul-americano e reuniu imigrantes venezuelanos que vivem na cidade e em municípios da região. Durante o ato, participantes exibiram cartazes, bandeiras e entoaram palavras de ordem em defesa do que consideram ser um caminho para o fim da crise política e social na Venezuela.

Relatos de esperança e surpresa com a queda de Maduro
O motorista Erasmo Rojas, que vive no Brasil há sete anos, afirmou que recebeu a notícia da queda de Maduro com surpresa e emoção. “Eu estou muito contente, porque era algo que a gente não esperava, mas graças a Deus aconteceu. Estamos muito felizes com o que está acontecendo na Venezuela”, disse.

Rojas contou que tem familiares que vivem em Caracas, próximos às áreas atingidas pelos bombardeios. Segundo ele, parentes enviaram registros em tempo real dos ataques. “Tenho familiares que moram na capital, perto de onde explodiram as bombas. Eles me mandaram vídeos de madrugada, mostrando tudo o que estava acontecendo ao vivo”, relatou.

De acordo com ele, a queda do governo era aguardada havia muitos anos pela população venezuelana, mas já não era mais vista como algo possível. “A gente esperou mais de 15 anos por isso e já tinha perdido a esperança. O que aconteceu quase deixou todo mundo louco, porque ninguém esperava mais”, afirmou.

Durante a manifestação, Rojas destacou que o ato também teve um caráter religioso. “Hoje a gente está aqui para comemorar a queda de Maduro, fazer uma oração e agradecer a Deus, porque acreditamos que Deus está libertando o povo da Venezuela”, declarou.

Durante o ato, participantes exibiram cartazes, bandeiras e entoaram diversos hinos. Foto: Pedro Lucas/TV TODODIA

Críticas e cobranças aos Estados Unidos
Questionado sobre a atuação dos Estados Unidos, Rojas disse ter uma visão cautelosa. “Eu acredito que ninguém faz nada de graça. Eles têm os próprios interesses e a gente sabe o que eles procuram o nosso petróleo”, ponderou.

Outro participante do ato foi o operador de guindaste Javier Pacheco, de 44 anos, que vive no Brasil há sete anos e trabalha em Americana. Natural da cidade de Valência, ele afirmou que recebeu a notícia da intervenção norte-americana com expectativa, mas demonstrou preocupação com os rumos políticos do país após a queda de Maduro.

Durante a manifestação, Pacheco defendeu que os Estados Unidos adotem novas medidas em relação à Venezuela. Para ele, o ministro do Interior, Justiça e Paz, Diosdado Cabello Rondón, é quem de fato comanda o país há anos, inclusive durante o período em que Maduro esteve na presidência, e também deveria ter sido alvo das ações do governo norte-americano.

Crise, imigração e novas histórias no Brasil
Segundo setores da oposição venezuelana e relatos de observadores internacionais, as últimas eleições presidenciais foram marcadas por fortes indícios de fraude, o que intensificou a contestação ao governo de Nicolás Maduro e ampliou a crise política no país.

Os organizadores do ato, Luiz José Firmin, de 57 anos, que mora no Brasil há sete anos, e Cézar Marin, residente no país há três anos, afirmaram à reportagem da TV TODODIA que a mobilização teve como objetivo chamar a atenção da comunidade internacional e dar visibilidade à situação enfrentada pelos venezuelanos.

O empilhadeirista Rafael Sobral, que vive no Brasil há mais de cinco anos, também participou do ato e destacou que a intervenção é vista por muitos imigrantes como a única alternativa para encerrar a crise prolongada e permitir que a população volte a viver com dignidade.

Crise econômica severa
Nos últimos anos, a Venezuela enfrenta uma grave crise econômica, marcada por inflação elevada, escassez de produtos básicos e perda do poder de compra da população. Esse cenário contribuiu para um intenso fluxo migratório, levando milhares de venezuelanos a deixarem o país em busca de melhores condições de vida.

O Brasil tornou-se um dos principais destinos desses imigrantes, que se espalharam por diferentes regiões, incluindo cidades do interior paulista, como Americana. Entre eles está o estudante Luiz Rodriguez, de 16 anos, que ficou em segundo lugar no Festival da Canção de Americana com uma música em homenagem à Venezuela, como forma de expressar saudade e esperança por dias melhores em seu país natal.

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