domingo, 25 janeiro 2026
PROTEÇÃO À MULHER

A cada cinco dias, uma mulher aciona o Botão do Pânico em Americana

Dados da Gama consideram um período de 15 dias com três acionamentos do sistema
Por
Nicoly Maia
O sistema acompanha 121 vítimas de violência. Foto: Reprodução/Gama

O Botão do Pânico, ferramenta de proteção a mulheres vítimas de violência doméstica, foi acionado três vezes em um intervalo de 15 dias em Americana. Os dados são da Gama (Guarda Municipal de Americana). Em todos os casos os acionamentos resultaram em prisões. Segundo a corporação, o número representa 25% do total de acionamentos registrados ao longo de todo o ano anterior.

Atualmente, o sistema acompanha 121 vítimas de violência. Em 2025, foram registrados 12 acionamentos do Botão do Pânico, que resultaram em três prisões.

Acompanhamento às vítimas
Para participar do programa, a mulher precisa possuir medida protetiva em vigor. A partir disso, entra em ação o Idmas (Inspetoria de Defesa da Mulher e Ações Sociais), setor especializado no atendimento e na proteção de mulheres vítimas de violência doméstica.

O coordenador de Planejamento da Guarda Municipal, Wendeo Santos, explica que o acompanhamento começa logo após o registro do boletim de ocorrência. “Essa medida protetiva vem para o sistema e as equipes entram em contato com essa vítima que tem a medida protetiva e informam como é o programa, como serão as atividades feitas por essas equipes, os acompanhamentos que serão realizados. A vítima pode aceitar ou não aderir ao programa. Aceitando, a gente começa a atender essas vítimas durante um período”, afirmou.

A equipe do Idmas mantém um cronograma de acompanhamento com visitas presenciais. As visitas têm como objetivo aumentar a sensação de segurança da vítima, esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do Botão do Pânico e garantir o cumprimento do serviço de proteção.

Resposta rápida da Guarda Municipal
Em caso de acionamento do Botão do Pânico, o alerta aparece em até cinco segundos na central de monitoramento da GAMA, com sinal sonoro e visual nos computadores.

“Esse botão vai dar a localização exata dessa vítima. Então, se torna uma ocorrência prioritária para a Guarda Municipal. Ele aparece no nosso sistema de despacho e rapidamente o controlador do CSI envia a informação para a viatura mais próxima, para que o atendimento seja o mais rápido possível”, explicou o coordenador.

Segundo ele, todas as equipes da Guarda Municipal estão preparadas para atender de forma emergencial e urgente qualquer acionamento do Botão do Pânico.

Tecnologia como aliada no combate à violência
Wendeo Santos reforça que tecnologias como o Botão do Pânico auxiliam em um pedido de ajuda mais rápido e permitem uma resposta mais ágil da Guarda Municipal, evitando que a violência chegue a níveis mais graves, como o feminicídio.

Em 2025, Americana registrou um feminicídio de Gabriela Silva Simão, de 32 anos, morta a tiros pelo ex-companheiro, Rogério Augusto Cardoso, de 38 anos. Após o crime, o homem tirou a própria vida.

“É importante fazer a denúncia. Tudo começa, às vezes, nos primeiros sinais, na violência psicológica. Buscar ajuda antes que a situação evolua para uma agressão física ou até para a letalidade é fundamental. A gente orienta que procurem ajuda e façam o boletim de ocorrência”, destacou.

O coordenador também lembra que, mesmo quem não participa do programa ou ainda não possui medida protetiva, pode pedir ajuda. “Se a agressão estiver acontecendo, a vítima deve tentar entrar em contato com a Guarda Municipal, gritar ou chamar vizinhos para que acionem a gente. Estamos à disposição para ajudar”, completou.

Como pedir ajuda
Para registrar o boletim de ocorrência, a mulher pode comparecer pessoalmente a uma Delegacia de Defesa da Mulher. Também é possível registrar o boletim pela Delegacia Eletrônica, principalmente em casos de ameaça, injúria, perseguição ou violência psicológica.

No momento do registro, a vítima já pode solicitar a medida protetiva, sem necessidade de advogado. O pedido é encaminhado ao Judiciário e, geralmente, analisado em até 48 horas. Se concedida, o agressor é comunicado e passa a cumprir as determinações. O descumprimento da medida pode resultar em prisão.

Em situações de risco imediato, a orientação é ligar 190 e acionar a Polícia Militar. Para orientação e acolhimento, o telefone 180 funciona 24 horas por dia. Em Americana, a Guarda Municipal também pode ser acionada pelo telefone 153.

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