Pedido de reajuste das contas em Americana, enviado à Ares-PCJ, ainda não tem índice definido, nem prazo
Diretor geral do DAE, Carlos Cesar Gimenez Zappia salienta que Americana tem uma das tarifas mais baixas da região, e que a última correção foi feita em 2018. Chegou a ser feito um pedido de revisão em 2019, mas a chegada da pandemia no início de 2020 estancou todos os processos.
Ele não cita projeções sobre em qual ordem o aumento deve ser, mas enumera custos que saltaram principalmente a partir do final de 2020, em reflexo da pandemia, além dos reflexos econômicos atuais, como o custo de energia elétrica.
Outro fator é o índice de inadimplência, que subiu de 6% para 10%. Apesar disso, garante que as contas estão equilibradas.
Os insumos tiveram alta nas mais diversas faixas. Conforme Zappia, os aumentos foram de 100% a 300% em alguns materiais, como peças de reposição.
E o problema não para por aí. Além de mais caros, alguns equipamentos ficaram mais inacessíveis. Ele exemplifica com peças específicas das quais não é possível manter estoque, e que demandavam cerca de 30 dias para entrega. Agora, esse prazo chega a 90 dias.
O pedido do DAE está em análise pela Ares-PCJ. Quando a agência tiver um parecer, deve ser feita uma audiência com conselho consultivo. A implementação da nova tarifa deve valer 30 dias após a publicidade de resolução que regulamenta a correção – ainda sem data prevista.
Apesar do aumento de custos e da inadimplência, as ações sociais implantadas na pandemia não impactaram o caixa, de acordo com o diretor.
As autorizações que previam a proibição de corte de água mesmo com contas em atraso só abrangeram as famílias de baixa renda com tarifa social.
A média mensal de despesa da autarquia tem sido na ordem de R$ 8,3 milhões mensais, “empatando” com a receita proveniente das tarifas dos serviços. Ou seja, não está em dívida, mas também não tem registrado superávit (ganho) para investimentos.
Após 50 anos, bairros terão nova tubulação
Os bairros São Vito e Jardim São Paulo deverão se tornar canteiros de obras no próximo ano. As regiões estão no cronograma para receber a troca de toda a tubulação da rede de água, em serviço que será custeado por contrato da Prefeitura de Americana com a Caixa Econômica Federal, por meio do Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento). A gestão será do DAE (Departamento de Água e Esgoto) de Americana, que vai ressarcir os cofres municipais na empreitada.
A Câmara aprovou recentemente o projeto que prevê o empréstimo de R$ 25 milhões, sendo R$ 16 milhões para o DAE e o restante para a Secretaria de Obras.
Diretor geral do DAE, Carlos Cesar Gimenez Zappia explica que o montante destinado à autarquia será aplicado em três frentes: a construção de uma estação elevatória de esgoto na orla da Praia Azul, e a troca de tubulações dos dois bairros, sendo 19 quilômetros de rede no São Vito e 11 km no Jardim São Paulo.
O problema no São Vito, além da idade da estrutura, datada das décadas de 1950 e 1960, é o tipo de material: ferro fundido.
A estrutura vai sofrendo uma encrustação de materiais que vão fechando o canal de passagem d’água.
Já no Jardim São Paulo, a tubulação de fibrocimento é inadequada por ser de fácil rompimento, além de ter sido implantada nos anos 1970.
Nos dois bairros será colocada a rede de PEAD, polietileno de alta densidade, com durabilidade muito maior. A vida útil desse material é estimada em 100 anos.
Zappia alerta que as obras ocorrerão simultaneamente, quando for possível. No momento, a autarquia prepara documentações do projeto junto à Caixa. Quando o financiamento for liberado, será lançada a licitação para as obras. Quando elas forem iniciadas, devem demandar até dois anos.
O município terá dois anos de carência antes de começar a pagar o financiamento, com prazo de oito anos para saldá-lo.
O diretor explica que toda linha de crédito deve ser pleiteada pela prefeitura, com ressarcimento pela autarquia, pois o DAE não tem autonomia financeira para executar os pleitos.
Ele também salienta que, apesar de prestes a ser firmado, o empréstimo é buscado há muito tempo, dependendo de várias condicionais. Uma delas é um índice do município, da capacidade de endividamento. Quando Americana chegou num patamar que permitia buscar crédito, a linha disponível já estava concedida, no ano passado. Agora, a reserva já está feita, como garante Zappia. A estimativa é que a documentação para liberação seja concluída até o fim do mês.
Regiões terão monitoramento para redução de perdas d’água
O Centro de Reservação 12, que abrange regiões como o Jardim Brasil e Antônio Zanaga, receberá tecnologia para reduzir as perdas d’água. O mecanismo, que foi implantado no CR-10 e CR-11 nos últimos anos, deve monitorar as pressões d’água, indicando em tempo real as que estiverem muito acima do normal, evitando o desperdício.
O processo foi explicado pelo diretor geral do DAE (Departamento de Água e Esgoto) de Americana, Carlos Cesar Gimenez Zappia.
O objetivo é equalizar as pressões em patamares condizentes com as reservações das partes baixas e das elevadas.
O que acontece no sistema atual é que locais que deveriam estar com pressão entre 10 e 12 mca (metros de coluna d’água) acabam ficando em 70 mca, com um gasto de água muito acima do normal.
De acordo com o diretor, essa desregulagem equivale a uma perda de 70% do custo físico-financeiro (o que deixa de entrar no erário da autarquia) e uma perda real em torno de 50% de água.
Serão implantados hidrômetros “inteligentes” que permitem, por um sistema, identificar as pressões fora dos parâmetros ideais, fazendo a regulagem automática – o que hoje é preciso fazer manualmente.
Nos locais onde o sistema foi implantado em 2019 essas perdas caíram pela metade, na estimativa do diretor.
À época, foram implantados cerca de 350 hidrômetros, mas a licitação abrange o projeto para identificação da demanda, extensão, materiais, implantação e trocas.
O orçamento previsto para a nova contratação é na ordem de R$ 2,6 milhões, com recursos da própria autarquia, em implantação que deve demandar dois anos.
Na região dos bairros Boer e Bertoni, o processo demandou 30 meses ao custo de R$ 1,2 milhão à época.
Zappia salienta que a dimensão das áreas é parecida, porém, a do CR-12 é mais populosa, numa estimativa de 20 mil habitantes (enquanto a anterior abrange bairros que totalizam cerca de 12 mil).
ÍNDICES
O índice de perdas d’água no município é variável, mas a estimativa atual de Zappia é que esteja na ordem de 45%.
A expectativa é que as ações venham a garantir uma redução de 15% a 20%, considerando as intervenções na rede física.





