Americana é conhecida por revelar talentos em diversas áreas. O que muita gente não imagina é que a cidade também tem um representante em uma das funções mais estratégicas do país, a defesa do espaço aéreo brasileiro.
Nascido em 1987 e criado no bairro Nova Americana até os 18 anos, Luca Pedrozo de Lima é major aviador da FAB (Força Aérea Brasileira) e vem construindo uma carreira de destaque na instituição.
Sonho desde infância
O sonho de se tornar piloto começou ainda na infância. Ex-aluno do Colégio Politec, De Lima teve o primeiro contato com o universo militar por influência do pai, professor de judô, que costumava arbitrar competições na AFA (Academia da Força Aérea), em Pirassununga, responsável pela formação dos oficiais aviadores.
Foi nesse ambiente que surgiu o interesse pela aviação militar e pela carreira nas Forças Armadas. A proximidade despertou a curiosidade e ajudou o americanense a definir o caminho profissional.
“Hoje, com o advento da mídia social, mais pessoas têm acesso à carreira militar, a conhecer como é que funciona o trabalho da Força Aérea Brasileira, a formação na Academia da Força Aérea. Na minha época, era pouco difundido isso, pouca gente sabia, ainda mais em Americana”, relembrou Lima.
A partir daí, iniciou a preparação para uma trajetória que exige disciplina. Primeiro, pesquisou sobre o processo de ingresso por meio de concurso público. Depois, passou por dois anos de curso preparatório até conquistar a aprovação e ingressar na Academia da Força Aérea, em 2007, aos 20 anos.

Formação e experiência pelo Brasil
Após se tornar aspirante a oficial, no fim de 2010, De Lima foi transferido para Natal, no Rio Grande do Norte, onde seguiu para a aviação de caça. Em 2011, realizou a especialização na área, voando uma aeronave de ataque leve utilizada pela Esquadrilha da Fumaça.
Depois, foi designado para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde deu sequência à formação operacional como piloto de caça. Em seguida, retornou a Natal, já como tenente aviador, atuando como instrutor até ser transferido, em 2017, para o Rio de Janeiro, onde está até hoje, na Base Aérea de Santa Cruz.
Em solo carioca, o piloto passou a operar aeronaves de alta performance. “Aqui (Rio de Janeiro), eu servi no 1º Grupo de Aviação de Caça, que é um esquadrão histórico da Força Aérea, que participou, inclusive, da Segunda Guerra Mundial. Um esquadrão que data de 1943”, contou.
A função de um piloto de caça
Mais do que voar, ser piloto de caça exige prontidão total para cumprir as responsabilidades do policiamento do espaço aéreo.
Segundo De Lima, a segurança do espaço aéreo do país é realizada a todo momento. “24 horas por dia, sete dias por semana, tem um piloto de caça em diversas regiões do Brasil, equipado, com a aeronave equipada, pronto para o proveito do Sisdabra, que é o nosso Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro. Caso a nação demande, esse piloto pode ser acionado para interceptar uma aeronave, para prestar algum tipo de apoio”, explicou.

Uma nova fase da carreira
Com mais de uma década e meia como piloto de caça, De Lima acumulou experiências importantes ao longo da carreira. Entre elas, treinamentos com a Força Aérea Chilena e com a Força Aérea Americana, em exercícios de guerra simulada.
Após passar pelos postos de tenente e capitão, e agora como major aviador, ele chega a um novo momento profissional. Deixa a cabine das aeronaves para assumir uma função estratégica.
Depois de ser chefe de operações, desde janeiro de 2026, comanda cerca de 60 militares no 1º GCC (Primeiro Grupo de Comunicações e Controle), unidade subordinada ao Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), responsável por gerenciar todo o espaço aéreo brasileiro.
“Foi natural essa transição, quando atingi um nível de maturidade na carreira, já após a promoção a major. A indicação para assumir o comando de organização militar é uma indicação do Alto Comando da Aeronáutica”, detalhou.
Denominado Profeta, o esquadrão que De Lima comanda tem a função de prover soluções de comunicação e controle, como frequências, rádio, estruturas de videoconferência e outros aparatos em missões de interesse da Força Aérea ou de forças auxiliares.
Relação inseparável com Americana
Mesmo tendo passado por diferentes regiões do Brasil e vivendo distante da cidade natal, major De Lima mantém o carinho e a gratidão por Americana, município onde recebeu o título de cidadão emérito em 2019.

As visitas também são frequentes, principalmente para reencontrar os pais, familiares e amigos da infância, laços que permanecem até hoje.





