Familiares e amigos das adolescentes Lídia Moraes Aguiar e Maria Eduarda de Souza Almeida, ambas de 15 anos, organizaram uma passeata neste domingo (29), em homenagem às jovens que morreram em um acidente de trânsito no Jardim Ipiranga, em Americana, no Carnaval. Além das manifestações de carinho, a mobilização também teve o intuito de pedir por justiça.
A concentração aconteceu em frente à loja Bandini, exatamente no local onde ocorreu o acidente, na madrugada do dia 17 de fevereiro, terça-feira de Carnaval. As meninas voltavam de um bloco de Carnaval em Santa Bárbara d’Oeste.
O carro era conduzido por um homem de 40 anos, pai de uma das outras adolescentes presentes no veículo. O motorista, a filha e a companheira saíram ilesos. Uma quarta jovem ficou ferida e precisou passar por cirurgia para a retirada do baço. Uma quinta adolescente, de 16 anos, também teve ferimentos, foi atendida na UPA São José e liberada no mesmo dia.
Maria Eduarda morreu após dar entrada no hospital, enquanto Lídia faleceu no dia seguinte, após não resistir aos ferimentos. As duas eram estudantes dos cursos de Administração e Recursos Humanos da Etec Polivalente de Americana.
Homenagem às jovens
Antes da passeata, familiares e amigos prestaram homenagens às jovens com camisetas estampadas com fotos, cartazes com mensagens, balões e discursos marcados por emoção e saudade. O momento foi de comoção, com lembranças das adolescentes e manifestações de carinho.
“Essa sou eu, de pé pela minha filha e pela Duda até o último dia da minha vida. Eu não vou descansar enquanto a justiça não for feita e não vou descansar enquanto todas as pessoas entendam as meninas maravilhosas que elas eram”, disse Jéssica Mayara Moraes, mãe de Lídia Moraes.
O pai de Maria Eduarda Almeida, Manassés Rodrigues de Almeida, reforçou que clama por justiça, mesmo que isso não diminua a dor que ele sente pela perda da filha. “Eu não quero ver pessoas inocentes correndo risco que (elas) correram com alguém que faz o que fez”, afirmou.

Amigas inseparáveis
Durante toda a mobilização, os participantes reforçaram o quanto Maria Eduarda e Lídia eram grandes amigas desde os primeiros anos de vida. Segundo os pais, mesmo com personalidades diferentes, elas se entendiam de maneira única.
“As últimas vezes que eu conversei com a minha filha no hospital, ela estava inteira quebrada, com o pulmão perfurado, mas todas as vezes que abria o olho, ela perguntava da Maria Eduarda e a Maria já tinha falecido. Então, eu acredito na perfeição de Deus, a minha filha não ia sobreviver nessa Terra sem a Maria Eduarda”, contou Jéssica.

Pedido de justiça
Para chamar a atenção para o caso e aos pedidos de justiça, a caminhada seguiu da Rua Igaratá até o Fórum de Americana, na Avenida Brasil.
O motorista que conduzia o veículo no acidente responde ao processo em liberdade após ser autuado inicialmente por homicídio culposo. Ele chegou a ser preso, mas foi solto após audiência de custódia. A defesa das famílias contesta a tipificação e busca o enquadramento como dolo eventual.





