Após ofício de deputado estadual presidente da Comissão de Direitos Humanos questionando o caso, corporação em Americana diz que conduta de agentes na polêmica do hospital será apurada
A Gama (Guarda Civil Municipal de Americana) instaurou uma sindicância interna para apurar o episódio envolvendo a atuação de membros da corporação na abordagem do engenheiro mecânico Maik Israel da Silva, de 35 anos, que foi detido por guardas municipais na madrugada da última terça-feira (8), no HM (Hospital Municipal) Dr. Waldemar Tebaldi. Silva reclamou da demora no atendimento médico de seu filho, um bebê de 15 meses, e acabou sendo algemado por desacato, sendo liberado somente na delegacia.
O caso, que vem repercutindo nas redes sociais desde que o vídeo com a detenção foi divulgado, é classificado pela família como “racismo” na abordagem.
A sindicância foi instaurada ontem, depois que o deputado estadual Emídio de Souza (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, encaminhou um ofício à prefeitura em que pede providências em relação ao caso.
“É meu dever zelar para que as forças de segurança de nosso estado trabalhem em prol da comunidade, respeitando os direitos individuais e coletivos dos cidadãos”, diz o parlamentar que classificou a “truculência contra um homem negro em frente ao seu filho pequeno” como “revoltante”.
Na ocasião, a Gama afirmou que o procedimento adotado é padrão.
“A Gama recebeu o ofício do deputado e, a partir de agora, será instaurado uma sindicância na Corregedoria para apurar os fatos”, afirma a Prefeitura de Americana, em nota divulgada no início da noite desta quinta-feira.
A autarquia ressalta ainda que os guardas municipais de Americana, além do curso de formação, passam anualmente por um Estágio de Qualificação Profissional (EQP), com mínimo 80 horas aulas teóricas e práticas fundamentais para a manutenção do porte de armas. Não foi informado se os guardas seriam afastados e nem o tempo de duração do processo administrativo.
Na terça-feira (8), a vereadora Professora Juliana (PT) já havia protocolado dois requerimentos na Câmara de Americana, em que questiona os procedimentos adotados pela Gama em abordagens realizadas em espaços públicos e, especificamente, sobre a atuação da corporação no episódio envolvendo o engenheiro mecânico. Na sessão desta quinta-feira (10), o assunto chegou a ser debatido entre os vereadores.
O CASO
Conforme publicado no TODODIA na edição da última terça-feira, o engenheiro saiu algemado do HM após se revoltar com a demora no atendimento do filho, um bebê de 15 meses. A família alega que a atitude da Gama foi desproporcional e motivada por racismo, enquanto o comando da corporação conclui não ter visto problema na abordagem, classificando a ação como “procedimento normal”.
A detenção do engenheiro foi gravada e compartilhada em redes sociais.
“Queremos saber o que é feito para prevenir situações de abuso de força policial e outras violações de direito, por isso pedimos quantitativo de registros que chegam na ouvidoria e as ações de formação voltadas aos guardas municipais. São questionamentos importantes para sabermos o cenário da formação dos patrulheiros, que fazem um trabalho relevante para a segurança pública da nossa cidade e precisam de aperfeiçoamento constante para oferecer o melhor serviço possível para a população”, afirmou a parlamentar.
A Unegro (União de Negros pela Igualdade) de Americana divulgou nota, por meio de suas redes sociais, em que repudia o episódio.
“Com indignação e revolta é que tomamos conhecimento de que na madrugada desta terça-feira um homem negro foi brutalmente e desproporcionalmente abordado por policiais da Ronda Ostensiva Municipal (Romu) de Americana”, diz trecho da nota. A Unegro afirma que a ‘tolerância com indivíduos negros costuma ser menor”.





