Fim da escala 6×1 expõe opiniões divergentes entre trabalhadores e comerciantes de Americana
Trabalhadores destacam benefícios para a qualidade de vida, enquanto lojistas apontam possíveis impactos nos custos e na organização das equipes
Voz gerada por inteligência artificial

O fim da escala 6×1 divide opiniões entre trabalhadores e comerciantes de Americana. Após a aprovação da proposta pelo Senado, a TV TODODIA foi às ruas para ouvir pessoas diretamente afetadas pela mudança, que prevê mais tempo de descanso para os funcionários e exige adaptações na organização das empresas.
Entre os trabalhadores entrevistados, os principais pontos favoráveis foram a convivência familiar, o lazer e os cuidados com a saúde. Já entre os comerciantes, houve manifestações de apoio à mudança, mas também preocupação com os custos e a necessidade de reorganizar as equipes para manter o atendimento.

Trabalhadores destacam qualidade de vida
Para quem trabalha seis dias por semana e tem apenas um de descanso, a possibilidade de ganhar mais uma folga pode fazer diferença na rotina, especialmente para quem precisa conciliar o emprego com os cuidados com os filhos e outros compromissos.
Emily, promotora de vendas que trabalha nessa escala, considera que o descanso adicional ajudaria na organização da vida pessoal. Ela destacou as dificuldades de conciliar o trabalho com a maternidade e consultas médicas.
Gabriel, que também atua na escala 6×1, ressaltou a importância de ter mais tempo para a família e o lazer, além de considerar o descanso necessário para evitar problemas de saúde.
Já o trabalhador autônomo Thiago criticou uma rotina de trabalho que, na avaliação dele, não oferece uma compensação financeira adequada. Para ele, é importante ter liberdade para definir a própria jornada e buscar uma remuneração que considere compatível com o esforço.
Comerciantes apontam desafios para adaptação
Entre os comerciantes ouvidos pela reportagem, Wilson, que tem um estabelecimento no Centro de Americana, declarou apoio à escala 5×2. Ele afirmou que pretende adaptar a rotina das funcionárias assim que as regras e os prazos forem definidos.
Os empresários Alan Drape e Bruna Rebeschini também se posicionaram a favor da proposta. Embora afirmem trabalhar todos os dias por escolha própria, eles consideram que os funcionários devem ter tempo para atividades além do emprego, como convivência familiar, cultura, lazer e esporte.
Em sentido contrário, o lojista Kauan declarou ser contra o fim da escala 6×1. Ele justificou sua posição com preocupações econômicas e com o modelo de organização do trabalho no país.
Eli Rodrigues, supervisor de loja, reconheceu que o descanso adicional pode beneficiar os funcionários, mas apontou possíveis consequências para os estabelecimentos. Segundo ele, a necessidade de contratar mais trabalhadores pode elevar os custos das empresas, com possíveis reflexos nos preços ao consumidor.
O que prevê a proposta
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), em dois turnos. O texto prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e a diminuição gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas.
Pelo cronograma previsto, dois meses após a promulgação, o limite semanal passará a 42 horas. Depois de mais um ano, será reduzido para 40 horas, com limite de oito horas diárias.
A mudança não é imediata e depende da conclusão da tramitação e da entrada em vigor das novas regras, além do período de adaptação estabelecido no texto.
O debate reúne expectativas de melhora na qualidade de vida dos trabalhadores e preocupações de parte dos comerciantes com a reorganização das equipes e os custos necessários para manter o funcionamento dos negócios.
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