Quinta, 19 Mai 2022

Número de passageiros cai e Sancetur diz que empresa não dá lucro

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Número de passageiros cai e Sancetur diz que empresa não dá lucro

Sou Americana quer que a prefeitura aumente o valor do subsídio cujo teto é de R$ 150 mil por mês  

Chedid | Empresário foi à Câmara ontem explicar sistema (Foto: Divulgação)

O número de passageiros que utilizam ônibus urbanos em Americana teve uma queda de 43,9% durante a pandemia, em relação ao período pré-crise sanitária. A afirmação foi feita pelo empresário Marcos Chedid, representante da Sou Americana, do Grupo Sancetur (Santa Cecília Turismo), concessionária responsável pelo transporte coletivo na cidade, durante participação na sessão da Câmara desta quinta-feira (20).

Segundo Chedid, antes do início da pandemia a Sou Americana transportava cerca de 32 mil passageiros por dia, aproximadamente 14 mil a mais do que as 17.943 pessoas transportadas pela Sou Americana na última quarta-feira (19). "Hoje, não estamos tendo lucro (com a operação em Americana)", disse o técnico da empresa, Claudinei Castanha.

Segundo Chedid, a pandemia e a queda drástica no número de passageiros seriam as justificativas para o menor número de ônibus em circulação. Ele afirma que, atualmente, de 70% a 85% da frota está em circulação para transportar 50% dos passageiros previstos.

O contrato assinado entre a Prefeitura de Americana e a Sancetur, válido por 15 anos, prevê a circulação de 65 carros, mas a empresa possui 54 veículos oferecendo o serviço em dias úteis, 24 aos sábados e apenas 18 aos domingos.

"O número de passageiros pagantes, ontem (quarta-feira) foi de 13.409 e outros 4.500, mais de 30% de graça. No sábado (15), foram 6.591 passageiros e no domingo (16) 1.849. O que eu quero é que vocês que nos ajudem a levar para a prefeitura a linha e o horário que tem dificuldades" pediu Chedid aos vereadores.

CRÍTICAS
Questionado mais de uma vez pelos vereadores sobre relatos de veículos em uso com má conservação, Chedid não respondeu.

No ano passado, a Sancetur foi alvo de críticas de usuários do serviço por disponibilizar um número menor de veículos em circulação e atraso no horário das linhas oferecidas.

Em dezembro, parte dos funcionários da empresa promoveram uma paralisação em razão de atraso no pagamento de 13º salários e por denúncias de supostas práticas trabalhistas ilegais. Segundo os funcionários, a empresa estaria recontratando os colaboradores por meio de uma terceira empresa.

O episódio fez com que o presidente da Comissão de Meio Ambiente, Transporte e Comunicação da câmara, o vereador Léo da Padaria (PV), anunciasse a convocação de representantes da empresa na Câmara para esclarecer o tema.

Sobre o atraso no pagamento dos funcionários, Chedid afirmou que houve um problema no sistema bancário, e o pagamento foi regularizado assim que possível. Já sobre as ilegalidades trabalhistas ele disse que a empresa atua dentro dos limites legais.

Empresa fala em 'reequilíbrio' do contrato
Durante participação na sessão da Câmara de Americana nesta quinta-feira (20), um dos proprietários do Grupo Sancetur (Santa Cecília Turismo), Marcos Chedid, e o responsável técnico da empresa, Claudinei Castanha, da qual faz parte a Sou Americana, indicaram que pretendem sugerir o "reequilíbrio" do contrato assinado com a Prefeitura pelo serviço.

"É importante dizer que o contrato prevê três formas para o reequilíbrio. Uma é o reajuste anual, com base na variação de preços dos insumos. É uma formula que chamamos de paramétrica, a variação do diesel no período e o restante pela inflação, de 10,16%. Só preço do diesel teve aumento de 65%, no ano passado, mais 9%, deste mês, e a tendência é aumentar mais ainda. Tudo isso teve um impacto muito grande. Nós podemos dar agora entrada com pedido de reajuste. Mas o contrato prevê também duas formas de revisão: a ordinária, quando há algum fator em desequilíbrio, como a criação de um imposto; ou extraordinária, por força maior, que é o caso agora com a pandemia", explicou Castanha.

Castanha explicou que o IPK (índice de passageiros por quilômetro), usado para calcular a chamada tarifa técnica, remuneração da empresa pelo serviço, no momento do contrato era de 1,1, ou seja, previa-se 503 mil passageiros pagantes e 470 mil quilômetros rodados, número que sofreu impacto com os efeitos da pandemia.

"De setembro para cá, teve uma pequena recuperação, com 300 mil pagantes rodando 300 mil quilômetros. A questão é que estamos oferecendo um serviço com cerca de 80% da frota anterior à pandemia e transportando 50%. Não sabemos como vai ficar a perspectiva dos próximos meses com a Ômicron", disse. "Se não houver alguma forma de subsídio ou desoneração, vai ficar cada vez mais inviável", completou.

A Prefeitura de Americana já paga à Sancetur um subsídio de R$ 0,55 por passagem, com teto de R$ 150 mil mensais.
A medida foi tomada no segundo semestre do ano passado para evitar o reajuste da tarifa aos passageiros, hoje de R$ 4,70. O valor estipulado no processo licitatório realizado na gestão anterior previa tarifa de R$ 5,40.

Questionada, a Prefeitura de Americana afirmou que não prevê reajuste de tarifa aos passageiros no momento.

Já o aumento do valor do subsídio pago à Sancetur estaria em estudo, mas dependeria da disponibilidade financeira do município.

Usuário terá aplicativo, diz concessionária
De acordo com o diretor de TI (Tecnologia da Informação) da Sancetur, Fábio Bortolato, a empresa está em fase final de desenvolvimento de um aplicativo de celular para que usuários possam acompanhar informações sobre as linhas de ônibus em Americana.

Bortolato afirmou que, em 30 dias, deve disponibilizar o protótipo do aplicativo à Utransv (Unidade de Transporte e Sistema Viário) para que seja testado.

"O aplicativo já está com todos os pontos de ônibus da cidade mapeados. Agora estamos com os carros fazendo os itinerários com GPS para fazer o apontamento de parada", explicou.





 

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