Cuidar do bem-estar animal é a missão profissional e de vida da médica-veterinária Thaisa Pardini. Ela comanda uma clínica que se tornou referência no resgate de animais em situação de risco em Americana e região. São vítimas de acidentes, abandono ou retiradas do habitat natural, um trabalho que exige agilidade, cuidado e dedicação.
A clínica recebe animais encaminhados pela Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Polícia Ambiental, além de moradores e cidades vizinhas. “A gente recebe animais da Guarda, do Bombeiro, Polícia Ambiental, de pessoas que acham na rua e trazem, e também de algumas cidades aqui da região”, afirma. A maioria é de vida livre, encontrada ferida, atropelada ou doente. “Eles trazem pra gente, a gente faz o tratamento, e os que conseguem a gente solta”, explica. Os que não se recuperam permanecem sob cuidados.

Sequelas e casos graves
Muitos ficam com sequelas que impedem o retorno à natureza. “A gente tem gaviões, corujas, sem perna, sem asa, alguns perderam por linha de pipa, outros por tiro”, relata. Há casos como o de um teiú que perdeu parte da boca e maritacas que não conseguem mais voar.
Animais mais atendidos
Entre os atendimentos mais comuns estão os gambás, frequentemente filhotes após a morte da mãe. “Os gambás vêm muito filhotinhos porque a mãe foi morta por cachorro ou por pessoas”, diz. Outros chegam com ferimentos graves, como um que perdeu o olho após um disparo.
A clínica também recebe maritacas, corujas, urubus e porcos-espinhos, quase sempre vítimas de traumas. “Dificilmente vem só doente”, afirma. Um dos casos é o de um jabuti de queimadas, que teve o casco reconstruído com resina.
Recuperação e soltura
O tratamento inclui medicação e exames. “A gente repete os exames pra ver se está tudo certo”, explica. Depois, aves passam por treino de voo até estarem aptas. “A gente vai soltando em espaços menores, depois maiores, até aprenderem a voar e pousar”, detalha. Quando recuperados, são devolvidos à natureza com apoio da Guarda Municipal.
Desafios com pets
Cães e gatos resgatados exigem outro tipo de cuidado. Muitos chegam traumatizados e precisam de socialização antes da adoção. “A maioria é muito traumatizada, então a gente precisa trabalhar isso aos poucos”, afirma.
Hoje, cerca de 180 animais estão na clínica, de diversas espécies. Destes, aproximadamente 150 não podem mais voltar ao habitat natural. Todos recebem nomes, como o teiú Scar e a urubu fêmea Mortícia.
Alerta à população
A veterinária também alerta para os riscos do manejo incorreto. “Tem gente que acha bonitinho e vai mexer, mas pode ser perigoso e machucar ainda mais o animal”, diz. A orientação é acionar a Guarda Municipal. No caso de cães e gatos, o cuidado é com mordidas e doenças como a esporotricose.
Sem apoio público
Sem apoio financeiro das prefeituras, o trabalho é mantido com recursos próprios e ajuda de voluntários. “Tudo é mantido pela clínica e com ajuda de voluntários”, afirma.
O telefone para quem quiser fazer doações e apoiar o trabalho é (19) 99510-0929.





