
O som das marchinhas e o colorido das fantasias já tomam conta das ruas da região. O Carnaval é a festa da liberdade, mas essa liberdade termina exatamente onde começa o corpo do outro.
O que deveria ser apenas alegria, muitas vezes, vira medo. Nesta reportagem especial, você fica por dentro das ações de combate ao assédio no período de festas e conhece a história de um bloco de rua que conscientiza sobre a importunação sexual.
Estatísticas
De acordo com o Instituto Locomotiva, a percepção da população sobre o tema no Carnaval é preocupante:
- 86% dos brasileiros concordam que ainda existe assédio no Carnaval e que é responsabilidade de todos combater essas práticas.
- Metade das mulheres já passaram por situações de importunação durante as festividades.
- 73% delas têm medo de sofrer assédio no Carnaval, são 7 a cada 10 brasileiras.
Bloco Boralá
Na nossa região, iniciativas e campanhas irão atuar nas ruas para evitar mais vítimas. Em Santa Bárbara d’Oeste, o bloco de rua Boralá irá contar com a presença de voluntários do SSPCIC (Serviço Social em Promoção da Cidadania Imaculada Conceição).
Conversamos com a assistente social Leila Magali Sant’Anna e a psicóloga Jaqueline Marques de Azevedo, que detalharam o trabalho da instituição. “Na DDM, nossa equipe psicossocial atua no acolhimento imediato à mulher assim que ela inicia o Boletim de Ocorrência. Esse atendimento é oferecido para identificarmos suas demandas reais e dar voz a ela para além do registro policial”, afirma Leila Magali Sant’Anna.
Apoio e acolhimento
No Brasil, o assédio sexual é qualificado como crime no Artigo 216-A do Código Penal e a pena pode chegar a dois anos de reclusão. A assistente social explica a atuação do SSPCIC dentro da DDM (Delegacia da Mulher) de Santa Bárbara:
“Como técnicas, analisamos as questões sociais e as vulnerabilidades envolvidas, articulando o que a rede setorial do município pode oferecer para ampará-la nesse momento de dor”, explica Sant’Anna.
Campanhas
Leila Magali Sant’Anna, também destacou a importância da conscientização nesse período. “Embora os momentos de festa tragam alegria e entusiasmo, sabemos que, infelizmente, agressores podem se infiltrar nesses ambientes para se aproveitar da vulnerabilidade das mulheres. Como equipe técnica, estamos atentas a essas situações; por isso, reforçamos nossa presença com materiais informativos e ações de conscientização, focadas no enfrentamento direto à violência doméstica”, ressalta a assistente social.
Sinais da violência
O assédio pode acontecer de diferentes formas. Por isso, é preciso ficar atento aos sinais que se manifestam cedo. A assistente social alertou para o perigo.
“Nosso trabalho é conscientizar as mulheres de que a violência não se restringe à agressão física; um simples ‘beliscão’ ou a violência psicológica são formas graves de abuso. Muitas vezes, a mulher sofre calada por não identificar esses sinais. Por isso, aproveitamos os eventos para abordá-las diretamente, oferecendo ferramentas para que identifiquem essas violações e saibam que não precisam enfrentar isso sozinhas”, enfatiza Sant’Anna.
Importância do consentimento
A psicóloga Jaqueline Marques de Azevedo, orientou sobre como agir em situações não consensuais.
“Queremos que o desfile de Carnaval seja um momento de alegria e diversão, mas, acima de tudo, de responsabilidade. O lema é claro: ‘Não é Não’. É fundamental respeitar o corpo e a vontade da mulher. Qualquer aproximação sem consentimento é assédio. Nosso recado para as mulheres é: fiquem atentas, cuidem-se e aproveitem a festa com a segurança de que o respeito deve vir em primeiro lugar”, orienta a psicóloga.
Serviço
- Bloco Boralá.
- Data: 14 de Fevereiro.
- Horário: 19h30 (Saída).
- Local: Av. Monte Castelo, Santa Bárbara.
Testemunhou algo errado ou foi vítima de assédio? Ligue 180. O atendimento é gratuito e anônimo.





