quinta-feira, 9 abril 2026
SELVAGEM, MAS FOFINHO

Bombeiros capturam tamanduá-mirim dentro de residência no Parque Itália, em Sumaré

Animal silvestre pode ter pegado “carona” no carro da família em viagem de volta de Catanduva (SP)
Por
Vagner Salustiano

Uma família de Sumaré foi surpreendida na manhã de sexta-feira (20) por uma visita inusitada: um tamanduá-mirim ainda jovem, animal típico do cerrado brasileiro, invadiu uma residência na Rua José Vieira dos Santos, no Parque Itália, na Região do Maria Antonia.

Dócil e inofensivo, ele foi contido pelos próprios moradores, que utilizaram um cesto de roupas virado, até a chegada de uma equipe do Corpo de Bombeiros formada pelo sargento Ari Motta e pelo soldado Luiz Araújo – que fizeram a captura do animal selvagem.

Ele foi levado para a sede da corporação e de lá seria transportado pela Polícia Militar Ambiental para um centro de recuperação da vida silvestre, possivelmente em Limeira.

Carona que passou despercebida?
Segundo os moradores, eles estavam em viagem na cidade de Catanduva (SP), onde há tamanduás-mirins livres na natureza. Uma possibilidade levantada é que o animal tenha entrado no motor do carro antes da viagem de volta, e que eles não tenham percebido a presença do “carona”.

Reforça essa possibilidade o fato de a residência estar em plena área urbana, longe de qualquer mata ou área verde.

Segundo o sargento Motta, a família já havia avistado o animal dentro do quintal e acionado os Bombeiros na quinta-feira (20) à tarde. Mas, ao chegar à residência pela primeira vez, os profissionais não encontraram o tamanduá.

“Num primeiro momento, houve até dúvidas de ser um tamanduá mesmo, por não termos (espécimes) na região assim, em área urbana. Porém, a solicitante enviou uma foto”, contou o oficial.

Bicho foi contido pelos próprios moradores com cesto até a chegada dos bombeiros. Foto: Corpo de Bombeiros de SP

Apenas na sexta-feira (20) de manhã o bicho foi finalmente localizado e capturado. Ainda por telefone, os profissionais orientaram a família a colocar algo sobre o bicho, calmamente, até a chegada da equipe.

“Hoje (sexta-feira) nos acionaram novamente, informando que o animal retornou à casa. Então pedimos para que, se possível, colocassem uma bacia ou algo para prendê-lo até chegarmos. Fomos lá e realmente era um tamanduá-mirim”, acrescentou o sargento.

Segundo o bombeiro, a presença de um tamanduá-mirim na área urbana de Sumaré é algo inusitado. Em três anos atuando na região, ele nunca havia visto um caso assim.

“Em três anos aqui em Sumaré, nunca nem vi um tamanduá na região. Esse é um animal de cerrado, que não temos por aqui, (a região) não é seu habitat”, explicou Motta.

O animal foi capturado pelos bombeiros seguindo as normas técnicas e levado para a unidade da corporação em Sumaré, de onde seria removido pela Polícia Militar Ambiental.

Conheça o bicho
O tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) mede entre 87 e 110 cm e pode pesar até sete quilos, com uma cauda preênsil e coloração predominantemente amarelada, com duas manchas pretas que se estendem dos ombros até a região posterior do corpo.

A cabeça tem um focinho alongado e uma língua longa e protrátil. Possui quatro dedos nos membros anteriores, com garras longas em três deles, e cinco dedos nos posteriores, com garras curtas em cada um.

Assim como todos os tamanduás, ele não possui dentes. A espécie ocorre em todo o Brasil, sendo encontrada também na Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina.

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