A procura por apoio nos primeiros sinais de violência pode ser um mecanismo importante para a redução dos casos de feminicídio na região, avalia a secretária municipal de Políticas para as Mulheres de Campinas, Alessandra Herrmann.
Campinas conta com centro de apoio à mulher
Vítimas de violência doméstica podem buscar atendimento no Ceamo (Centro de Referência e Apoio à Mulher), em Campinas. O local oferece acolhimento psicossocial, encontros coletivos, palestras e rodas de conversa. O serviço funciona na Rua Onze de Agosto, nº 412, no Centro.

De acordo com dados referentes ao mês de dezembro, foram registrados 54 atendimentos psicossociais individuais, 47 participações nos grupos de fortalecimento e 168 casos em acompanhamento. O serviço é destinado a mulheres a partir dos 18 anos.
Segundo Alessandra Herrmann, o Ceamo atende mulheres que enfrentam diferentes formas de violência. “São mulheres sofrendo qualquer tipo de violência. Não é só a violência física, mas também a moral, a patrimonial e a psicológica. Muitas ainda não estão totalmente seguras para tomar decisões como denunciar o agressor ou ir até a Delegacia da Mulher para registrar um boletim de ocorrência. Elas precisam, antes, desse fortalecimento emocional e social para tomar uma decisão mais segura e conseguir romper o ciclo de violência que estão vivendo”, explica.
Avaliação de risco
O atendimento psicossocial é individual e realizado por profissionais da saúde, entre eles uma assistente social e uma psicóloga. O acompanhamento ocorre pelo tempo necessário para a mulher alcançar autonomia e consiga romper, seguramente, a situação de violência, sem prazo definido para encerramento.
Ao chegar à Casa da Mulher Campineira, onde o Ceamo está localizado, a mulher é acolhida por uma psicóloga ou assistente social, que realiza uma entrevista inicial para compreender a situação vivida. “É feita uma avaliação de risco, e a partir dela todo o processo começa.
Dependendo do caso, a mulher é orientada a procurar a Delegacia da Mulher, especialmente quando há violência física. Muitas chegam bastante machucadas. Em outros casos, elas são convidadas a participar dos grupos de fortalecimento, que acontecem duas vezes por semana, garantindo a continuidade do acompanhamento psicológico de forma coletiva, que também tem um caráter terapêutico”, detalha a secretária.
Encontros coletivos
As reuniões em grupo têm duração média de duas horas e também são acompanhadas pelas profissionais de saúde. Durante os encontros, as participantes refletem sobre temas relacionados à violência contra a mulher e compartilham experiências, criando um espaço de apoio e aprendizado mútuo.
De acordo com Alessandra Herrmann, os grupos ajudam as mulheres a se sentirem mais à vontade para falar sobre o que enfrentam. “No grupo de fortalecimento fica muito mais fácil. Muitas começam apenas ouvindo e, quando percebem que existem outras mulheres vivendo situações semelhantes e que já conseguem falar sobre isso, passam a se sentir mais seguras para expor tudo o que está acontecendo.”
Tempo de acompanhamento
O tempo de permanência no serviço varia de acordo com a avaliação de risco realizada no início do atendimento. “Tem mulheres que rapidamente entendem o que está acontecendo e começam a criar mecanismos internos para sair do ciclo de violência. Outras demoram mais, geralmente aquelas que sofrem violência há muitos anos, quando isso já se tornou algo estrutural em suas vidas. Tudo depende da avaliação feita pelas nossas profissionais”, afirma a secretária.
Orientação e prevenção além do atendimento interno
Além do atendimento direto às mulheres, o Ceamo realiza palestras e rodas de conversa voltadas à orientação da população e de profissionais das áreas da educação e da saúde, abordando os tipos de violência, formas de identificação e os serviços disponíveis.
Alessandra Herrmann reforça a importância da busca por ajuda logo nos primeiros sinais. “O ideal é que elas nos procurem assim que percebam os primeiros sinais, para que possamos explicar o que está acontecendo. A violência e o feminicídio são apenas a ponta do iceberg. Nunca começa com a violência física. Normalmente começa com a violência psicológica, moral, com a destruição da autoestima, e vai se intensificando com o tempo.”
Como participar
Para agendar atendimento no Ceamo, basta ligar ou enviar mensagem pelo WhatsApp para o número (19) 3735-9499. Também é possível comparecer pessoalmente ao endereço. De segunda a quinta-feira, o atendimento ocorre com horário agendado, enquanto às sextas-feiras é realizado por ordem de chegada. Não é necessário apresentar boletim de ocorrência.
Outros serviços de apoio à mulher
Além do Ceamo, o município oferece uma rede de serviços voltada ao acolhimento, à proteção e ao empoderamento feminino, com ações que abrangem o enfrentamento à violência doméstica, a inclusão social, a geração de renda e o fortalecimento da autonomia.
Entre as iniciativas estão a Casa da Mulher Campineira, que oferece apoio psicossocial, orientação jurídica e auxílio na busca por emprego e moradia; os abrigos Sara M e Santa Clara, que funcionam como espaços seguros para mulheres vítimas de violência ou em situação de rua; além do próprio Ceamo, especializado no acolhimento e na escuta qualificada no enfrentamento à violência de gênero.
A rede inclui ainda programas de monitoramento de medidas protetivas, como a Guarda Amiga da Mulher, ferramentas de proteção imediata como o Botão SOS Gama, acolhimento humanizado por meio da Sala Lilás, benefícios sociais como o auxílio-moradia do BEM Campinas e o Renda Campinas, além de ações voltadas à capacitação profissional, inclusão produtiva e empreendedorismo feminino. Para acesso aos serviços e situações de emergência, as mulheres podem buscar apoio pelo telefone 153 da Guarda Municipal, pelo Disque Denúncia 181 ou acionar a Polícia Militar pelo 190.





