sábado, 7 fevereiro 2026
BLOCO NEM SANGUE NEM AREIA

Bloco tradicional de Campinas celebra 80 anos; comemoração acontece neste domingo nas ruas da Vila Industrial 

Confira as atrações disponíveis para o público
Por
Nicoly Maia
O bloco tem reunido milhares de foliões. Foto: Reprodução/ Prefeitura de Campinas

O tradicional bloco Nem Sangue Nem Areia volta a ocupar as ruas da Vila Industrial neste domingo, 8 de janeiro, para celebrar 80 anos de história no Carnaval de Campinas. Com o enredo “Nem Sangue Nem Areia: 80 anos de alegria e coisa séria!”, a agremiação apresenta um desfile que revisita sua trajetória e reafirma sua importância como um dos símbolos da folia na cidade.

Concentração e programação
A concentração está marcada para as 12h, com atividades até as 20h. Por se tratar de um bloco itinerante, o público pode acompanhar a concentração e a localização em tempo real pelo site oficial do Carnaval da Prefeitura de Campinas.

A programação começa por volta das 14h, com apresentações musicais que abrem a festa. Às 16h, a cantora Ana Paula Moretti e banda sobem ao palco com repertório dedicado à música carnavalesca brasileira. Em seguida, ocorre o momento principal do evento, com o desfile do bloco pelas ruas do bairro, acompanhado pela bateria nota 10 da Estrela D’Alva.

O samba-enredo é assinado por Fabinho Azevedo e Daniel Romanetto, com interpretação de Fabinho durante o cortejo. Após o retorno do trajeto, o DJ Digão encerra a programação com clássicos do samba rock.

Tradição e memória
A história do Nem Sangue Nem Areia teve início em 1946, em um período de transformações políticas no país após o fim da Era Vargas. Inspirados no filme homônimo estrelado pelo comediante mexicano Cantinflas, quatro amigos — Osvaldo Butcher, conhecido como Bochão, Antônio Rua, o Tulé, Manoel dos Santos, o Mané, e Sinézio Jorge, o Zucão — criaram o bloco que se tornaria referência no Carnaval campineiro.

A origem operária da Vila Industrial, marcada à época pela presença de curtumes e pela rotina ligada ao trabalho com o gado, influenciou diretamente a identidade visual e temática do grupo, com adereços, alegorias e a figura do toureiro. O desfile rapidamente ganhou popularidade, reunindo moradores nas calçadas, especialmente na Rua São Carlos, para acompanhar a passagem do bloco.

Trajetória e retomada
Na década de 1970, o Nem Sangue Nem Areia chegou a se transformar em escola de samba, com o último desfile oficial em avenida realizado em 1975. Após um período de interrupção, a tradição foi retomada em 2009 por um grupo de jornalistas e amigos liderados por Helder Bittencourt, dando início à fase atual do bloco.

Com concentração na Rua Francisco Teodoro, o trajeto passa por pontos emblemáticos da Vila Industrial, como o Teatro Castro Mendes, a Estação Cultura, o túnel de pedestres e a Praça do Coreto. Nos últimos anos, o bloco tem reunido milhares de foliões e prestado homenagens a personagens e espaços marcantes da cultura campineira.

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