
Para mulheres que buscam um método contraceptivo no município de Campinas, a cidade promove nesta sexta-feira (13), em todas as unidades básicas de saúde uma mobilização em alusão à Semana de Prevenção à Gravidez na Adolescência.
A iniciativa inclui a oferta de métodos contraceptivos em todos os centros de saúde do município, acolhimento, escuta qualificada, orientação e realização de testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis.
A gravidez na adolescência teve queda de 20,4% em Campinas. Os registros passaram de 985 casos em 2021 para 784 em 2025, entre meninas de 10 a 19 anos, segundo dados da Secretaria de Saúde.
De acordo com a coordenadora da área da Saúde da Mulher, Miriam Nóbrega, a redução é atribuída a campanhas educacionais, parcerias com projetos e à ampliação do acesso aos métodos contraceptivos na rede pública, em especial os de longa duração, como o implante.
“Desde o final de 2021, temos trabalhado com a incorporação dos métodos contraceptivos de longa duração. São opções que podem durar de três a oito anos, dependendo do tipo, e até dez anos no caso do DIU de cobre. Temos ampliado a oferta e o acesso a esses métodos, que são mais eficazes e apresentam maior adesão entre as mulheres”, comenta a coordenadora.
Ampliação do Implanon
A procura pelo Implanon cresceu de forma significativa nos últimos anos. Em média, 36% dos implantes realizados entre 2022 e 2025 foram em adolescentes e jovens de 10 a 20 anos.
Em 2021 o método era ofertado apenas para grupos específicos, como mulheres com contraindicação ao uso de estrogênio, adolescentes e pessoas vivendo com HIV/Aids.
Em dezembro de 2025, o município ampliou o público-alvo para todas as mulheres em idade fértil, incluindo o método entre as opções disponíveis na rede pública.
Em 2022, foram realizados 34 implantes, sendo 14 nessa faixa etária. Em 2023, foram 438 implantes, dos quais 145 em adolescentes e jovens. Em 2024, o número subiu para 1.299, sendo 454 nesse grupo. Em 2025, foram 2.449 implantes, com 833 em mulheres de 10 a 20 anos.
“Oferecer um método contraceptivo de longa duração, altamente eficaz e com acesso facilitado para a adolescente, contribui de forma significativa para reduzir a gestação nessa faixa etária” reforça Miriam
Como ter acesso
Para ter acesso, a usuária deve procurar o centro de saúde de referência do bairro. No atendimento, é realizada escuta qualificada para identificar a necessidade e orientar sobre o método mais adequado.
“O método anticoncepcional é definido a partir de critérios de elegibilidade, que consideram as condições clínicas e possíveis contra indicações. A idade, por si só, não impede o uso, mas situações como histórico de trombose ou alterações no útero podem restringir algumas opções. Após a orientação sobre riscos e eficácia, a escolha final é sempre da mulher ou da adolescente”, esclarece Miriam Nóbrega.
Além do implante subdérmico, a rede municipal oferece DIU de cobre, DIU hormonal, preservativos internos e externos, anticoncepcional oral e injetável mensal ou trimestral.
Os centros de saúde também oferecem grupos de Planejamento Familiar, com orientação e apoio na escolha do método contraceptivo mais indicado para cada caso.
Riscos da gestação precoce
A Secretaria de Saúde alerta que a gravidez na adolescência apresenta riscos devido ao desenvolvimento corporal ainda incompleto. Entre as possíveis complicações maternas estão a anemia, hipertensão gestacional, que pode evoluir para quadros graves, diabetes gestacional e parto prematuro.
Para o bebê, os riscos incluem baixo peso ao nascer, prematuridade e maior necessidade de internação em UTI Neonatal. Também podem ocorrer complicações respiratórias, neurológicas e metabólicas.
“Que as mulheres possam se cuidar e fazer a melhor escolha para suas vidas, tendo filhos no momento que considerarem mais adequado. Nós, como profissionais de saúde, estamos disponíveis para orientar e apoiar nessa decisão”, reforça a coordenadora.





