
Campinas registrou 29 casos de tuberculose em janeiro deste ano, segundo dados da Secretaria de Saúde. Em 2025, o município contabilizou 300 notificações compulsórias da doença, o maior número da série histórica recente, e, nos últimos anos, foram registrados 817 casos.
Causada por bactéria, a tuberculose é transmitida pelo ar quando uma pessoa infectada tosse ou fala. O risco aumenta em situações de contato próximo e prolongado e em locais fechados e pouco ventilados. A doença atinge principalmente os pulmões, mas também pode comprometer outros órgãos.
A médica Elda Motta, do Departamento de Vigilância em Saúde, avalia que a pandemia contribuiu para a propagação da doença, devido à redução na procura por serviços de saúde. Ela também apontou fatores sociais e econômicos como influências no aumento de casos. “a dificuldade social na atualidade é perceptível, temos o aumento de casos de pessoas em situação de rua além do empobrecimento da população. São fatores que também aumentam a possibilidade de ter tuberculose. Condições ruins, onde várias pessoas moram na mesma casa, não tem ventilação, facilita bastante a disseminação”.
Sintomas e diagnóstico
O principal sinal de alerta é a tosse persistente por mais de duas semanas, sem melhora. Febre baixa, suor noturno, cansaço e perda de peso também estão entre os sintomas.
Uma pessoa com tuberculose ativa pode transmitir a doença para, em média, 15 pessoas ao longo de um ano, ao eliminar bacilos ao tossir ou falar. O exame para diagnóstico identifica a presença do bacilo no escarro em cerca de 90% dos casos e também indica se há resistência ao esquema terapêutico padrão, o que ajuda a definir a conduta médica.
Em caso de suspeita, o Centro de Saúde (CS) mais próximo é a porta de entrada. As unidades fazem a coleta de amostra de escarro, e o resultado pode sair em até 24 horas.
Infecção latente e investigação de contatos
Nem toda pessoa infectada desenvolve a forma ativa da doença. Na infecção latente da tuberculose (ILTB), o bacilo permanece “dormente” no organismo, sem sintomas e sem transmissão, mas pode se tornar ativo em situações de baixa imunidade.
A Secretaria de Saúde destaca a necessidade de identificar precocemente pessoas com ILTB, principalmente entre contatos de pacientes com tuberculose ativa, para início do Tratamento Preventivo da Tuberculose (TPT), estratégia apontada como essencial para reduzir a circulação da doença.
Elda Motta explicou que a doença se torna ativa quando a imunidade baixa e reforçou a importância de investigar quem teve contato com casos confirmados. “os que tiveram contato com tuberculose, se eles ficaram com a fórmula latente, precisam ser tratados. Esse também é um desafio, porque, muitas vezes, a família não quer ser investigada. Falhamos na investigação dos contatos, porque as pessoas não entendem a importância de que eles têm que ser investigados também.”
Tratamento pelo SUS e adesão
O tratamento da tuberculose dura, no mínimo, seis meses, é gratuito e oferecido exclusivamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O esquema básico utiliza quatro medicamentos, e a cura é alcançada quando o tratamento é seguido corretamente até o fim.
Um dos principais desafios apontados é o abandono do tratamento. Durante o período, o paciente deve realizar mensalmente exame de escarro para acompanhar a resposta e identificar precocemente possível resistência bacteriana.
Para reduzir a evasão, Campinas adota o Tratamento Diretamente Observado (TDO), recomendado pelo Ministério da Saúde, com acompanhamento presencial da equipe de saúde, e também o Tratamento Diretamente Observado por Vídeo (VDOT).
O VDOT é um aplicativo desenvolvido pela USP (Universidade de São Paulo) e permite que o paciente grave em vídeo a ingestão do medicamento, com acompanhamento remoto pela equipe, sem necessidade de deslocamento até a unidade.





