Quinta, 27 Janeiro 2022

Polícia apura ameaças contra radialista de Campinas

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Polícia apura ameaças contra radialista de Campinas

Jornalista Jerry de Oliveira denuncia ter sido abordado por homem armado após manifestação em escola pública; Secretaria de Segurança diz que suspeitos foram intimados e 8º DP investiga caso 

Jornalista e radialista Jerry de Oliveira (Foto: Divulgação)
A Polícia Civil de Campinas investiga o caso de ameaças que o jornalista e radialista Jerry de Oliveira, 52, diretor da Rádio Comunitária Noroeste FM, vem sofrendo desde o início do mês passado. A motivação para as ameaças seria política.
No último dia 9, Oliveira foi intimidado por dois homens, um deles armado, durante uma manifestação pública contra o encerramento das aulas do período noturno da escola Reverendo Professor José Carlos Nogueira, na Vila Boa Vista – mesma região onde fica a rádio na qual o jornalista atua.
Conforme registro da ocorrência na polícia, primeiro Jerry de Oliveira foi abordado por um homem que ameaçou matá-lo caso "falasse mal" do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante o protesto. Em seguida, outro homem, dirigindo um veículo, fechou o carro que Oliveira dirigia e apontou uma arma na direção do jornalista, enquanto o provocava a falar do presidente.

"Fomos procurados [a rádio] por pais, alunos e professores da escola para debater o encerramento das aulas no período noturno. Ampliamos o debate, fizemos uma assembleia com mais de 100 pessoas contrárias ao fim das aulas durante a noite e ficou decidido por realizarmos um ato pacífico para chamar atenção para o tema. No dia da manifestação, enquanto eu dirigia o carro de som, um homem, que já foi identificado pela própria comunidade, questionou qual político estava por trás do protesto", relata o radialista. "Avisei que era um movimento da comunidade e lideranças políticas se pronunciariam de acordo com o tempo determinado, caso houvesse. Em seguida, ele me perguntou se eu falaria mal do presidente. Eu disse, então, que era a favor da liberdade de expressão e as pessoas poderiam falar o que quisessem. Um tempo depois, um Audi branco fechou o carro de som, um outro homem desceu apontando uma arma para mim, desafiando para que falasse mal do presidente", explica Oliveira, que deixou o local e pediu presença policial no ato.
Tempo depois, o mesmo homem que o havia intimidado publicou em redes sociais um vídeo reafirmando as ameaças. "Ele dirige várias ofensas a mim", comenta.

No último dia 20, o radialista registrou boletim de ocorrência sobre o caso. "De início, a polícia não se mostrou interessada em investigar, mesmo tendo dito que havia imagens das câmeras de segurança do trajeto da manifestação. Fomos então até a Ouvidoria da polícia e fizemos outra denúncia", afirma.
Abalada, a esposa do jornalista, Cristiane Costa, que também trabalha na emissora, deixou a cidade. Oliveira relata que não tem conseguido exercer a função de jornalista por receio do que pode acontecer. "Não tenho garantia protetiva de que não vou levar um tiro. Minha esposa ficou emocionalmente abalada e eu não posso exercer minha profissão, não posso sair por causa de um irresponsável. Eu não nasci para ser covarde, eu apenas exijo direitos", desabafa.

O QUE DIZ A SSP
Questionada sobre as acusações, a SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) afirmou por meio de nota que os fatos citados estão sendo investigados pelo 8º DP (Distrito Policial) de Campinas.
"Os laudos relativos às imagens e aos áudios apresentados estão em elaboração. O suspeito e outro envolvido foram identificados e intimados para prestarem esclarecimentos na delegacia. No dia 13, a vítima retornou à delegacia com advogado e uma testemunha, que foi ouvida na mesma data. A investigação prossegue e a autoridade policial permanece à disposição do jornalista, bem como do representante legal para informar sobre os desdobramentos do inquérito", diz a nota da Secretaria de Segurança Pública.

Entidades como o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e a organização internacional Artigo 19 (fundada na Inglaterra e que atua na luta pelos direitos humanos) emitiram notas de apoio ao radialista, cobrando solução para o caso.

"Não podemos admitir ameaças à vida pela manifestação da liberdade de opinião e pela luta pela democracia. O SJSP apela ao Governo do Estado de São Paulo e aos organismos de segurança pública que investiguem com urgência tais ameaças e garantam a integridade física e a vida de Jerry de Oliveira e da diretora Cristiane Costa", declarou o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

 

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