quinta-feira, 12 março 2026
CRISE NA SAÚDE

Superlotação atinge hospitais em Campinas e unidades restringem atendimentos pelo SUS; PUC suspende cirurgias eletivas

Hospital PUC-Campinas e Hospital de Clínicas da Unicamp informam ocupação muito acima da capacidade e adotam medidas emergenciais para manter atendimento a casos graves
Por
Guilherme Pierangeli
Novas internações estão suspensas no Pronto-Socorro Adulto SUS do Hospital PUC-Campinas. Foto: Guilherme Pierangeli/Arquivo TV TODODIA

Dois dos principais hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Campinas registram superlotação e operam com ocupação muito acima da capacidade instalada. O Hospital PUC-Campinas e o Hospital de Clínicas da Unicamp divulgaram notas informando restrições no atendimento e medidas emergenciais diante da alta demanda por serviços de saúde.

No Hospital PUC-Campinas, o pronto-socorro destinado ao atendimento do SUS opera com 360% de ocupação. Segundo a instituição, 45 pacientes estão acomodados em macas nos corredores devido à elevada procura por atendimento.

PUC-Campinas suspende eletivas
Diante do cenário, o hospital adotou medidas contingenciais e informou que avalia o cancelamento de cirurgias eletivas por período indeterminado, até que a situação do sistema de saúde local seja estabilizada. A unidade também comunicou que, neste momento, não possui condições de receber novos pacientes encaminhados pelo SUS.

De acordo com a direção do hospital, a regulação municipal deverá avaliar o encaminhamento de pacientes para outros equipamentos de saúde da rede estadual, de forma a garantir a continuidade da assistência.

HC da Unicamp também opera acima da capacidade
Situação semelhante foi relatada pelo Hospital de Clínicas da Unicamp. Em nota divulgada nesta quarta-feira (11), a superintendência informou que a Unidade de Emergência Referenciada (UER) Adulto trabalha com ocupação de 394%, também acima da capacidade instalada.

Segundo o hospital, a alta demanda provoca sobrecarga da estrutura física, além da pressão sobre equipamentos, equipes e insumos. Diante do cenário, a unidade implantou medidas de restrição no atendimento.

O hospital passou a priorizar casos de maior gravidade e alta complexidade, que são encaminhados por meio dos sistemas de regulação de vagas, como a DRS-7 (Departamento Regional de Saúde), a Central Estadual de Regulação, além de atendimentos oriundos do Samu, do Corpo de Bombeiros, de serviços de resgate das rodovias da Região Metropolitana de Campinas e do grupamento Águia da Polícia Militar.

A direção do hospital destacou que a unidade tem como função principal o atendimento de casos graves referenciados de toda a região e solicitou compreensão da população enquanto o sistema de saúde enfrenta o aumento da demanda.

As duas instituições reforçam que a situação reflete a pressão sobre o sistema público de saúde da região e orientam a população a procurar outras unidades da rede quando possível, até que o cenário seja normalizado.

Cenário complicado
A superlotação no HC e na PUC acontece ao mesmo tempo em que o Hospital Mário Gatti, que é municipal, suspendeu as internações na UTI após sete pacientes serem infectados com a bactéria KPC. Diante do cenário, o Prefeito Dário Saadi (Republicanos) solicitou ao secretário de estado da Saúde, Eleuses Paiva, novos leitos para o SUS municipal. Segundo a prefeitura, Eleuses prometeu que em até 15 dias os leitos seriam disponibilizados por meio de um convênio com a Casa de Saúde, hospital particular da cidade.

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