O Hospital Municipal Dr. Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas, segue com a internação de novos pacientes suspensa na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto. A medida foi adotada após sete pacientes internados no setor serem diagnosticados com a bactéria multirresistente KPC.
A suspensão das admissões na UTI começou na terça-feira (10), como parte das medidas de controle adotadas pelo hospital para evitar a disseminação da bactéria. Segundo a administração municipal, o setor passa por procedimentos de desinfecção e controle sanitário.
O prefeito de Campinas, Dário Saadi, afirmou que a decisão foi preventiva e deve durar apenas alguns dias. “KPC, infelizmente, é uma bactéria que acontece em muitos hospitais do Brasil. O que o Mário Gatti fez foi adotar uma postura muito cautelosa de fazer ali uma interdição por alguns dias para eliminar”, disse. Ele acrescentou que o hospital atende casos graves de trauma e acidentes de toda a região. “É um hospital que atende não só a cidade, mas a região como um todo, e infelizmente existe esse risco”, afirmou.
Uso de antibióticos e medidas de prevenção
O prefeito, que também é médico, relacionou a presença da bactéria resistente ao uso frequente de antibióticos. Segundo ele, a administração municipal estuda promover capacitações voltadas a profissionais de saúde para discutir a prescrição desses medicamentos.

“Vamos fazer uma capacitação através do Mário Gatti de todos os médicos, não só da rede pública municipal, mas também da rede privada. A bactéria resistente surge muitas vezes pelo uso indiscriminado de antibióticos”, afirmou. De acordo com ele, embora a prescrição dependa de receita médica, ainda há casos de uso excessivo desses medicamentos.
Superlotação em hospitais do SUS
A situação no Hospital Mário Gatti ocorre em meio a dificuldades relatadas por outras unidades hospitalares que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Campinas.
O Hospital PUC-Campinas informou que o pronto-socorro adulto chegou a registrar superlotação, com pacientes sendo atendidos em macas nos corredores devido à falta de leitos. Em determinado momento, 45 pacientes estavam nessa situação. Na sexta-feira, o número havia caído para 25, mas a unidade ainda registrava ocupação de cerca de 260%, mantendo suspensas as cirurgias eletivas.
Situação semelhante foi relatada no Hospital de Clínicas da Unicamp, onde a Unidade de Emergência Referenciada (UER) adulto chegou a registrar taxa de ocupação próxima de 400%. Diante do cenário, os hospitais orientaram que pacientes procurem outras unidades de saúde da cidade quando possível.
Ampliação de leitos SUS
Diante da pressão sobre o sistema hospitalar, o prefeito informou ter discutido alternativas com o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva.
Segundo Saadi, o governo estadual deve firmar em até 15 dias um convênio para abertura de até 100 leitos destinados ao SUS na Casa de Saúde Campinas, unidade privada da cidade.
A medida busca ampliar a capacidade de atendimento hospitalar enquanto as unidades que atendem pelo SUS lidam com alta demanda e restrições de leitos.





