sábado, 3 janeiro 2026
CUIDADOS NAS FÉRIAS

Afogamento mata cerca de 16 brasileiros por dia; veja como se prevenir nas férias

Dados da Sobrasa apontam 16 mortes por dia no país; especialistas destacam que a maioria dos casos pode ser evitada
Por
Nathalia Tetzner

Um brasileiro morre por afogamento a cada 90 minutos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa). Isso representa cerca de 16 famílias que perdem alguém todos os dias no país. Os números revelam uma tragédia contínua e silenciosa, que atinge principalmente jovens: quase metade das vítimas tem menos de 30 anos.

Em 2025, a realidade foi sentida de perto na região. Especialistas alertam que o afogamento não deve ser tratado como acidente, mas como incidente, algo previsível e evitável com medidas adequadas de prevenção.

Prevenção como principal ferramenta
Para orientar a população, o tenente Antonio Carlos Brustolin Júnior, comandante do Corpo de Bombeiros de Americana, destaca que regras simples podem salvar vidas. “Costumamos dizer que ‘água no umbigo é sinal de perigo’ e ‘bebida alcoólica e mar, nem pensar’. É fundamental conhecer o local onde a pessoa vai se refrescar e priorizar áreas com presença de guarda-vidas”, afirma.

Segundo os bombeiros, o consumo de álcool, o desconhecimento da profundidade e a ausência de supervisão estão entre os principais fatores de risco.

Atenção redobrada com crianças
A combinação entre distração e excesso é apontada como uma das principais causas de afogamentos graves no verão. No caso das crianças, o risco é ainda maior. Dados da Sobrasa indicam que cerca de quatro crianças morrem afogadas por dia no Brasil.

Entre crianças de até nove anos, mais da metade dos casos ocorre dentro de casa, principalmente em piscinas e banheiras. Para evitar tragédias, a supervisão constante é indispensável.

“Crianças precisam estar sempre sob vigilância. Um segundo de distração pode ser fatal, especialmente com o uso do celular. Também orientamos atenção ao tipo de boia: o ideal é usar modelos tipo colete. Boias de braço podem se soltar com facilidade”, alerta o tenente.

Riscos em águas doces
Ao contrário do que muitos imaginam, o mar não é o principal cenário dos afogamentos no Brasil. Dados da Sobrasa mostram que 76% das mortes ocorrem em águas doces, como rios, lagos e represas, onde a profundidade e as correntezas podem enganar.

Outro risco frequente é o chamado salvamento impulsivo, quando uma pessoa tenta resgatar outra sem preparo, o que pode resultar em uma segunda vítima.

“A orientação é sempre acionar o 193. Tentar um resgate direto é extremamente perigoso. Se for possível ajudar, o ideal é oferecer um objeto que flutue, como uma corda ou madeira. Muitas pessoas acabam se afogando ao tentar salvar outras”, explica Brustolin.

Casos que reforçam o alerta
Em novembro, Americana registrou um caso que exemplifica o perigo do resgate sem segurança. Um homem morreu afogado no Rio Jaguari, no bairro Monte Verde, ao tentar salvar um animal de estimação.

Segundo o Corpo de Bombeiros, mesmo nessas situações, a prioridade deve ser a segurança pessoal. “O indicado é usar uma embarcação ou oferecer algo que flutue. O animal pode estar em estresse e representar risco. É preciso cuidado para não se tornar mais uma vítima”, reforça o comandante.

A precaução com as crianças perto de piscinas é fundamental neste período de férias escolares. Foto: Ana Machado/TV TODODIA

Educação e conscientização
O Corpo de Bombeiros destaca que a prevenção é uma responsabilidade coletiva. A corporação realiza ações educativas em escolas e espaços públicos, com programas como o Bombeiros na Escola, além da distribuição de cartilhas informativas.

“Orientamos que crianças permaneçam próximas dos responsáveis e que ninguém mergulhe de cabeça em locais desconhecidos. Para os adultos, reforçamos os riscos do consumo de álcool e da profundidade elevada”, afirma Brustolin.

Com a chegada das férias, medidas simples podem fazer a diferença, como cercar piscinas, manter contato visual constante com crianças e evitar distrações. A prevenção é apontada pelos especialistas como o principal caminho para reduzir os números de afogamentos e evitar novas tragédias.

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