Um estudo inédito da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), revela que nove em cada 10 moradores do estado de São Paulo já foram alvo de tentativas de golpes digitais.
São quase 30 milhões de paulistas na mira dos criminosos e o interior não está imune: as quadrilhas estão cada vez mais especializadas em atacar quem vive longe da capital. A TV TODODIA conversou com o analista de pesquisas da Fundação Seade, Irineu Barreto, para entendermos o que os números revelam sobre a região.
“Essa é uma pesquisa inédita, com 14.500 entrevistas. Nós tivemos três abordagens diferentes: tentativas de golpes, golpes efetivamente consumados e percepção da população quanto aos riscos”, afirma Barreto.
Indústria do crime
O que antes era um crime de oportunidade, virou uma indústria. 88% da população do estado já sofreu alguma investida criminosa por meios digitais.
“Os dados da região de Campinas são muito parecidos com os do estado de São Paulo. Nós conseguimos olhar para as diferentes regiões”, revela o analista de pesquisas.
Golpes mais recorrentes
O golpe da loja virtual inexistente é o campeão: 40% dos paulistas já caíram e compraram produtos que nunca chegaram. No interior, a confiança é o principal alvo. criminosos usam dados públicos para fingir que são funcionários de bancos ou prefeituras locais.
“O que a gente percebeu é que a população está muito exposta a tentativa de golpes. Nove a cada 10 residentes sofreram uma tentativa de golpe por algum meio de comunicação”, ressalta Irineu Barreto.

Público-alvo
O perfil mais visado são pessoas com maior escolaridade e renda, entre 30 e 59 anos, mas o sentimento de medo é maior entre os idosos, que se sentem mais vulneráveis diante de tanta tecnologia. “Quem é mais visado pelos golpistas? Pessoas mais ricas, de maior escolaridade e pessoas que estão em idade ativa no mercado de trabalho”, destaca Barreto.
Medidas de segurança
Em 2025, a polícia paulista solucionou quase um caso por dia de crime virtual. São os chamados “policiais hackers” que cruzam dados para derrubar centrais de golpes que operam escondidas até em casas de luxo no interior. “Outro golpe que chama muito a nossa atenção pela engenharia social é o da maquininha. O golpista já conhece a pessoa e vai atrás dela”, comenta o analista de pesquisas.
Orientações
A orientação das autoridades é clara: desconfie sempre. “Em relação a esses golpes, recomendamos: não faça nada de imediato. O golpista vai tentar manipular a percepção de urgência”, enfatiza Irineu Barreto.
Em caso de golpes, o primeiro passo é registrar o boletim de ocorrência eletrônico. Só com relatos é possível mapear essas quadrilhas.





